segunda-feira, 29 de maio de 2017

As migrações actuais impedem respostas solitárias dos governos

Os fluxos migratórios ocorridos nos últimos anos estão a mudar o mundo. A deslocação de pessoas ocorre não apenas por questões relacionadas com a guerra, mas também devido a outras razões, como as alterações climáticas. 

As constantes mudanças que originam migrações não estão a ser acompanhadas pelos governos, já que, existe falta de preparação para os principais problemas que causam constrangimentos nas vidas das pessoas. 

Independentemente da causa, as populações são as que mais sofrem, mas os países desenvolvidos também vão ser afectados porque serão o porto de abrigo, como se viu no recente fluxo de migrantes par a Europa. Ou seja, uma inundação numa ilha não tem consequências só naquela localidade. 

A velocidade também impede que se tomem soluções acertadas. A era da tecnologia trouxe conhecimento em tempo real do que se passa na China, Índia, Portugal ou Nepal. Quanto mais rápido tiver que se actuar, dificilmente consegue chegar a uma opção que agrade a todas as partes. Por exemplo, se a população da ilha tiver que se deslocar rapidamente não há tempo para se decidir sobre a hospitalidade dos novos vizinhos.

Os factores referidos são importantes, mas a imprevisibilidade impede que se possa saber onde se vai realizar o próximo atentado ou inundação, pelo que, não se podem preparar planos alternativos. 

Os executivos deixaram de conseguir responder a todos os problemas decorrentes das migrações, precisando da ajuda das organizações humanitárias, pelo que, não existem condições para a portar continuar fechada. O tema não pode ser resolvido por cada um, mas em conjunto, como acontece com o ambiente.

sábado, 27 de maio de 2017

Ano 2010: A melhor temporada do Sp.Braga no futebol português e europeu

Os bracarenses entraram para a história do futebol português e europeu devido a dois grandes feitos.

O primeiro foi a luta histórica com o Benfica pelo primeiro lugar do campeonato até à penúltima jornada. Um grande braço de ferro entre as duas equipas, sendo que, o Sp.Braga perdeu a hipótese de vencer o título na deslocação ao Estádio da Luz. No entanto, a segunda posição significou a melhor posição de sempre no campeonato. 

O bom desempenho dos bracarenses na liga permitiu o acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões. O primeiro adversário era o Celtic, tendo vencido em casa por 3-0 e perdido por 2-1 na Escócia. 

Os guerreiros continuaram em prova, mas tinham de jogar perante o poderoso Sevilha. O jogo na Pedreira correu bem com uma vitória por 1-0. A derrota no Sanchez Pizjuan por 4-3 possibilitou a conquista de um feito inédito. O desafio dos bracarenses em Espanha foi um dos melhores de história do clube. A fase de grupos não correu bem, embora a eliminação para a Liga Europa permitisse ao clube atingir a final da prova em 2011 frente ao FC Porto. 

Os dois melhores anos do clube no campeonato e nas competições teve como timoneiro Domingos Paciência. O técnico fica ligado a uma parte importante da história, mesmo sem ter ganho títulos.

O Sp.Braga sofreu uma enorme transformação com a entrada de António Salvador em 2004, sendo que, os troféus surgiram no início da década. Os feitos alcançados em 2010 são menores se forem comparados com a vitória na Taça da Liga em 2013 e a conquista da Taça de Portugal em 2016.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Ano 2010: Fim do processo Casa Pia

O processo Casa Pia terminou no dia 3 de Setembro de 2010, após ter sido iniciado em Fevereiro de 2003 com a detenção de várias pessoas, entre as quais Carlos Cruz, por suspeitas de abuso sexual a menores que pertenciam à instituição.

O escândalo teve início em 2003 com algumas revelações na comunicação social, mas o processo judicial só começou mais tarde. 

A maior parte das detenções ocorreu em Fevereiro e Julho de 2013, sendo que, no início do julgamento, em 25 de Novembro de 2004, estavam sete arguidos perante o juiz. 

O caso marcou o início de uma nova forma de relacionamento entre a justiça e a comunicação social devido à forma como todos foram escrutinados. A mistura da investigação jornalística com a judicial criou confusão ao ponto de ter havido nomes colocados pela imprensa, que nunca chegaram a ser acusados. 

O espectáculo em torno do processo levou a que se confundissem as duas investigações, havendo mesmo um sentimento contra ou a favor dos arguidos. A sociedade portuguesa seguiu o caso com bastante atenção por causa do envolvimento do antigo apresentador de televisão. As defesas dos arguidos também aproveitaram as câmaras de televisão para efectuaram o tempo de antena.

Após vários anos em torno do mesmo espectáculo, é possível afirmar que nem a justiça e a comunicação social cumpriram bem o papel que devem ter na sociedade portuguesa. Nenhuma das entidades pode cometer o mesmo erro.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O primeiro frente a frente entre a Europa e Trump

A primeira viagem internacional de Trump visa encontrar pontos de concórdia entre os Estados Unidos e os diversos países visitados pelo Presidente, mas também mostrar as diferenças que separa a actual administração de Barack Obama. 

A escolha dos locais a visitar tem algum sentido tendo em conta o momento conturbado que atravessa o mundo, sendo que, os Estados Unidos têm interesses nestes sítios.

A visita a Israel acaba por ser o momento mais relevante porque também por causa da questão israelo-palestiniana existe conflito entre o ocidente e médio-oriente. A mudança mais brusca de uma anterior administração norte-americana para a nova aconteceu na defesa dos interesses israelitas. Obama defendia dois Estados, enquanto Trump quer impor uma solução aos palestinianos. 

A primeira presença de Trump na Europa, devido a reuniões da NATO e do G7 é um teste à capacidade dos dirigentes europeus saberem receber um líder que criticaram durante muito tempo, chegando ao ponto de questionar a legitimidade democrática. Não se trata de nenhuma cimeira entre os Estados Unido e a Europa, mas a importância de vários países europeus nas duas organizações é sinal das primeiras discordâncias com Washington, sobretudo no financiamento da organização atlântica. 

Os responsáveis europeus vão ficar com uma primeira impressão de Trump e das exigências norte-americanas, mas também perceber qual é o sentido de orientação do Reino Unido. A velha aliança pode começar a construir algo em conjunto, deixando de fora a França e a Alemanha. 

Após a confirmação do apoio a Israel, todos esperam a primeiro ataque à Europa por parte de Trump.

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Invulgar contestação social ao governo

O número de greves que o governo socialista teve de enfrentar não é normal, tendo em conta o apoio parlamentar do PCP. 

As manifestações ainda não são muitas, mas as greves são a mais gravosa forma de luta contra as medidas de qualquer executivo. Os sindicatos ultrapassaram os protestos na rua para prejudicarem o funcionamento dos serviços públicos.

No espaço de um mês, função pública, juízes e professores ameaçam paralisar os serviços em nome da falta de compromisso por parte do governo relativamente a várias situações. Por um lado, cada organização pode estar a pedir demais, mas por outro, o governo também pode nem sequer cumprir o que prometeu. 

O que interessa destacar é a falta de diálogo dos socialistas, mesmo estando reféns dos comunistas e bloquistas. A atitude demonstra que o PS pretende iniciar a próxima campanha eleitoral atacando os dois partidos que permitiram governar durante a legislatura. O próximo inimigo não serão os partidos da direita, mas os dois actuais parceiros. 

O governo socialista deveria passar incólume perante a contestação social, já que, supostamente cumpriu com as propostas. 

terça-feira, 23 de maio de 2017

Ano 2010: O início do domínio dos conservadores britânicos

As eleições britânicas de 2010 colocaram ponto final em 13 anos de poder dos trabalhistas, divididos entre Tony Blair e Gordon Brown.

A governação trabalhista, sobretudo, com Blair no poder, fica marcado pelo boom económico e a guerra no Iraque. No final da primeira década do século XXI, Gordon Brown permitiu que a desregulação originasse a pior crise económica no Reino Unido. 

O governo eleito após as eleições de 2010 teve que efectuar reformas económicas para tornar o Reino Unido numa potência. 

O caminho iniciado por David Cameron em Downing Street começou por ser complicado porque não obteve maioria absoluta, necessitando de uma coligação com os Liberais-Democratas. O executivo cumpriu os cinco anos de mandato, tendo-se tornado numa vitória para o primeiro-ministro, já que, há bastante tempo que nenhuma coligação conseguiu cumprir a legislatura. 

A população britânica reforçou a confiança nos conservadores em 2015. Cameron conquistou a maioria absoluta, reduzindo a importância dos restantes partidos que tiveram todos de mudar de liderança. Os trabalhistas elegeram o terceiro líder em apenas cinco anos. 

O primeiro-ministro demitiu-se porque perdeu o referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia no ano passado, sendo substituído por Theresa May. A nova chefe do governo convocou eleições antecipadas para dia 8 de Junho de forma a tentar reforçar a maioria absoluta que detém no parlamento. 

A recuperação económica, o crescimento sustentado e a saída da União Europeia foram os principais factores das crescentes vitórias dos conservadores. O Reino Unido voltou a assumir uma posição independente em matérias como a economia, imigração, política externa, combate ao terrorismo. O estilo de liderança de Cameron e May também ajudaram à manutenção do poder. Por muito que se critique as fracas oposições de Ed Miliband e Jeremy Corbyn, o mérito tem de ser dado aos dois primeiros-ministros da década. 

segunda-feira, 22 de maio de 2017

O reforço das máquinas partidárias

A vitória de Pedro Sánchez nas primárias para a liderança do PSOE mostram a importância das máquinas partidárias. O mesmo acontece com Jeremy Corbyn no Labour.

Apesar das duas derrotas eleitorais e de vários erros estratégicos que impediram o apoio de qualquer outro partido a um governo liderado pelos socialistas, os militantes votaram na continuidade. Durante o longo processo eleitoral que decorreu em Espanha, Sánchez fez quase tudo errado, o que também costuma acontecer com Jeremy Corbyn.

Os pequenos descontentamentos que se costumam traduzir em actos eleitorais internos já não têm força suficiente para impedir o líder derrotado de se candidatar e muito menos originar uma derrota eleitoral. Note-se as várias tentativas para demover Jeremy Corbyn da liderança do Partido Trabalhista sem qualquer resultado positivo. 

À medida que vão ganhando eleições internas, Pedro Sánchez e o líder inglês reforçam o poder, mesmo com focos de instabilidade. O problema é que as vozes críticas não têm expressão nas urnas.

Os exemplos nos partidos socialistas espanhol e inglês revelam que nem sempre a melhor solução é realizar eleições internas para deitar abaixo as fracas lideranças porque, nestes casos, houve um reforço do poder. 
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