quarta-feira, 17 de Setembro de 2014

Ou há moralidade, ou ...

António José Seguro sustenta na necessidade de "vencer a crise de confiança" entre os portugueses e a democracia. Para tal, uma das propostas que quer apresentar na Assembleia da República prende-se com introdução de novas regras e alterações das existentes no que diz respeito à transparência no exercício de cargos político e públicos, concretamente quanto a incompatibilidades e à obrigatoriedade da revelação do origem dos rendimentos dos titulares.
Na notícia veiculada pelo Jornal de Notícias é referido, por aquele órgão de comunicação social, que uma fonte (é pena a sua não referência) oficial do PS, em declarações à Lusa, sustentou como exemplos práticos do impacto de uma eventual aprovação das propostas de António José Seguro que seria impossível ao ex-ministro Victor Gaspar ir para o FMI e que o ex-ministro e ex-dirigente do PSD, José Arnaut, não teria podido exercer as funções de consultadoria e ter transitado para o banco de investimento internacional. Tudo exemplos do PSD, como se no universo socialista não existissem (ou tivessem existido) casos semelhantes, no mínimo.
Mas o que é mais curioso é que a proposta (que inclui 11 medidas) de António José Seguro surge, quero acreditar que por mera coincidência, numa altura em que "rebentaram" na praça pública os casos "Face Oculta" (Armando Vara) e da ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues.
Oh wait.... são socialistas. Oh wait outra vez e pior... foram ministros/amigos de José Sócrates.
OH WAIT (agora pasme-se e em maiúsculas)... há as primárias no PS e há também o velho ditado: "a dita cuja serve-se fria... assim, a modos que geladinha".
O que António José Seguro esquece (e esquece muitas vezes) é que o país não é feito de tolos e nem sempre come papas e bolos.
A crise de confiança dos portugueses na democracia e na sua estrutura (partidos e políticos) é mais de razões de credibilidade, justiça, ética, demagogia, ideologia, e do excesso de populismo e mediatismos dos seus agentes.
Não é, apenas e tão só, de razões de transparência ou criminais. Aliás, algo que, felizmente, a justiça actual tem vindo a mudar.
Era dispensável...

Ideias Políticas: Razões para o desaparecimento precoce de alguns manifestos

O ex-bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto lançou a ideia de criar um novo partido. Na esfera partidária têm surgido notícias da criação de mais partidos bem como de manifestos que mais parecem ideias para serem aplicados em forças partidárias. 

Como já escrevi, acho importante que apareçam novos partidos como alternativa aos tradicionais até porque já há uma certa saturação nas actuais escolhas. Em toda a Europa a existência de muitos partidos é normal e isso não significa que sejam sociedades populistas. Há muitos projectos que podem vencer porque são credíveis, ambiciosos e têm uma linha política bem definida. Certas vezes os eleitores não sabem bem onde votar porque não há uma ideologia adoptada. Muitos votam PS e PSD pelo facto destes partidos se colocarem ao centro. 

Ao contrário do que se possa pensar, as pessoas querem que os partidos apresentem propostas concretas naquilo que são as suas convicções. 

Há dois aspectos que são responsáveis pela pouca expressão partidária no nosso sistema. O primeiro tem a ver com o facto dos movimentos ou pequenos partidos que surgem juntarem na mesma cadeira pessoas de todos os quadrantes da sociedade e vida política. Ora, se o que se pretende é definir um caminho não podemos estar todos no mesmo barco. O combate político faz-se da diferenciação de ideias e de alternativa. É curioso verificar que as mais recentes ideias que foram colocadas em vários manifestos agregavam pessoas de várias forças partidárias. O segundo aspecto tem a ver com os objectivos e a falta de divulgação nos meios de comunicação social. Acontece que a ideia morre quando estes projectos não têm a cobertura dos media desde o início. Ou seja, a ideia é para ver se a comunicação social pega na ideia e depois a divulga, estando o protagonismo mediático à frente das ideias. Convêm dizer que na maior parte dos casos não há ideias. 

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Não são apenas os jovens que emigram...

Um comunicado do Ministério da Justiça refere que a "Plataforma Citius está a funcionar em pleno".
Isto seria uma excelente notícia após o colapso total da plataforma digital e toda a polémica gerada à volta da questão.
Mas a realidade é que a "plenitude" do Citius é relativa: está por identificar o paradeiro de cerca de 3,5 milhões de processos judiciais.

Jornada 4

No topo da primeira liga estão quatro equipas: o Rio Ave, Benfica, V.Guimarães e o FC Porto. No entanto,a diferença de golos coloca os vila-condenses no topo da classificação. Apesar desta liderança ser temporária o Rio Ave promete andar lá em cima, tal como o Vit.Guimarães. Os vimaranenses têm uma formação bastante interessante, mais ainda pouco experiente. 

Quem anda na mó de cima é o Marítimo que recuperou do mau resultado e exibição no Dragão. Nota para a boa entrada do Arouca na prova que venceu o Sp.Braga e a primeira vitória do Boavista perante uma Académica que vai ter dificuldades em se aguentar. 

FC Porto e Benfica já estão lá em cima e tudo indica que o campeonato será outra discutido entre estas duas equipas. O Sporting cedeu o terceiro empate (podia ter sido o quarto) e já todos sabemos como acabam as novelas em Alvalade quando as exibições são aquelas que se registaram nos primeiros jogos do campeonato. 

Positivo
Hat-trick de Anderson Talisca na goleado do Benfica em Setúbal; primeira vitória do Boavista; bom jogo entre Guimarães e FC Porto; confirmação do Belenenses como equipa de primeira

Negativo
Confrontos no Estádio D.Afonso Henriques, maus arranques de Académica, Penafiel e Sporting, derrota do Braga em Arouca

Melhor jogador da Jornada: Anderson Talisca
Treinador da Jornada: Rui Vitória
Melhores jogadores: Maazou, Bernard e Miguel Rosa todos com 2 citações

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

O futuro da Ilha


Na próxima quinta-feira os escoceses vão votar a independência da região em relação à restante Grã-Bretanha. Caso o Sim ganhe, o Reino Unido passará a chamar-se Reino Unido da Inglaterra, Irlanda e País de Gales. É óbvio que este é um nome fictício, mas assenta que nem uma luva naquilo que poderá ser o futuro da ilha. 

Todo e qualquer nacionalismo é bem-vindo desde que não utilize a violência como justificação das suas reivindicações. Felizmente que o sucedido no País Basco não está a acontecer, nem na Escócia ou na Catalunha. 

A votação que se realizará no dia 18 é importante, não vai mudar a história, independentemente do resultado. Os escoceses não se sentem como parte integrante do Reino Unido como este que estar fora da União Europeia. O sentimento é mais político e económico do que propriamente social. Não existe nem nunca existirá um nacionalismo escocês como acontece na Catalunha. O que estes britânicos do Norte querem é uma bandeira, um parlamento e um hino com mais autonomia e significado. No fundo, querem sentir que aquilo é só deles. 

Por estes motivos acho que no referendo de quinta-feira vai ganhar o Não porque não há necessidade de mudar tudo só para agradar a alguns sectores da vida política e pública escocesa. Na sexta tudo estará igual e o Reino Unido vai seguir o seu rumo normal. 

Uma última palavra para o bom comportamento de David Cameron e dos restantes principais líderes partidários do Reino Unido. Numa altura em que era preciso união, juntaram-se e deram a cara em nome do Reino Unido. Uma lição para alguns políticos em Portugal que continuam mais preocupados com o seu ego do que propriamente com as políticas nacionais. 

domingo, 14 de Setembro de 2014

Olhar a Semana - Três notas


Três notas semanais (semana 37)…
1. O defraudar político de Marinho e Pinto
O Francisco Castelo Branco, na sua escala das “Figuras da Semana XVI” coloca o ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho e Pinto, a meio da “tabela”. Do meu ponto de vista, o Francisco é um mãos largas. Pessoalmente acho que Marinho e Pinto deveria ficar ainda bem abaixo de Paulo Bento. Foram várias as notas que deixei relacionadas quer com o rescaldo das eleições europeias de maio passado, quer com as posições de abandono e de defraudar assumidas pelo candidato eleito (e demissionário) pelo MPT (a decepção com a união europeia). Mas Marinho e Pinto é uma pessoa claramente insatisfeita. Poder ou querer capitalizar os votos e a projecção alcançada (e isso são factos) nas eleições europeias parece ser algo que Marinho e Pinto se preocupou em desvalorizar. Sedento do poder e do palco político (embora Marinho e Pinto seja mais “um populista” do que um “animal político”) não só defraudou e decepcionou o eleitorado e o MPT, como descredibilizou o processo e o sistema político. A intenção de criar mais um partido político não assenta, no seu caso, numa qualquer questão ideológica ou numa alternativa credível no actual sistema, exageradamente assolado por muitos partidos e movimentos políticos. Para Marinho e Pinto é mais um capricho e a necessidade da luz da ribalta política e social.
2. As cambalhotas do sistema bancário
Teria sido muito mais interessante     se a regulação do Banco de Portugal tivesse actuado nos casos BPP, BPN e agora BES/Novo Banco com a mesma veemência, celeridade, eficácia e intromissão reguladora como que, ao fim de dois meses, pressiona a equipa por si escolhida para liderar o processo BES para se demitir (equipa de Víctor Bento demite-se). Mais ainda, a mesma rapidez e intromissão com que, após um ou dois dias do anúncio da demissão já tem um nome para a nova liderança, não do Novo Banco, mas sim do processo da sua venda/alienação. As divergências eram claras: o desconhecimento da verdadeira dimensão e de todos os casos do BES por parte de Víctor Bento, bem como os objectivos e o projecto para o futuro do Novo Banco.
3. As queixinhas de Belém
Não… não são os famosos Pastéis de Belém. É um sentimento comum na opinião pública a crítica quanto ao isolamento e silêncio inaceitáveis do Presidente da República no que respeita a matérias importantes e que marcam a agenda e o futuro do país. Realidade apenas quebrada temporalmente e em momentos chave do calendário (Natal, Ano Novo, 10 de Junho, …). Infelizmente a excepção a esse ciclo de aparição pública de Cavaco Silva surge para o habitual queixume: “a mim ninguém me diz nada, a mim ninguém me liga!”. Era bom que o Presidente da República Portuguesa também ligasse ao país, muito para além das reflexões pessoais no recesso do lar.

sábado, 13 de Setembro de 2014

Figuras da Semana XVI

Por Cima

Barack Obama - O presidente dos Estados Unidos da América anunciou esta semana que iria efectuar pequenos bombardeamentos sobre alvos do Estado Islâmico no Norte do Iraque e na Síria. A decisão de Obama é a mais acertada até porque os guerrilheiros não têm meios para se defender, daí que recorram às decapitações sobre cidadãos norte-americanos. Não é só pelo facto de Obama ter tomada esta decisão que hoje está no topo. Parece que será possível um acordo com Bashar Al-Assad para realizar ataques na Síria. Será que isto representa um princípio de acordo para também acalmar a guerra no país? Penso que não porque os EUA não estão preocupados com as questões internas da Síria. 


No Meio

Marinho Pinto -  O ex-bastonário da Ordem dos Advogados vai fundar um novo partido para concorrer ás legislativas 2015 sob o lema "Liberdade, Justiça e Igualdade". Não vale a pena fazer uma análise muito profunda de Marinho porque vamos ter muitos posts sobre ele. No entanto, é de registar o facto de um homem que nunca teve uma ideia para a justiça venha defendê-la. Marinho Pinto não é um populista, mas um oportunista político. Por outro lado, o ex-eurodeputado vai formalizar um desejo de muitas pessoas que é o de criar um novo partido. Ora, isto é um desejo de muitas pessoas, mas ninguém avança. Marinho Pinto avançou e atrás dele pode ser que se abra uma porta importante já que a democracia portuguesa precisa de mais forças partidárias.

Em Baixo

Paulo Bento - Finalmente consumou-se a saída de Paulo Bento da selecção. Infelizmente foi com um ano de atraso uma vez que o apuramento para o Mundial 2014 via play-off foi uma autêntica vergonha. Portugal tem a obrigação de apurar-se sempre em primeiro lugar e não me venham com a história de não termos jogadores ou o nosso recrutamento ser pequeno. A Holanda é um país com dimensões inferiores a Portugal e fica sempre classificada em primeiro nas fases de apuramento. Sempre foi um crítico de Paulo Bento desde o dia em que entrou na FPF. Tal como aconteceu com a saída, também a entrada como seleccionador deu-se pela porta pequena porque veio substituir Queiroz por causa de um capricho federativo. A única excepção ao mau desempenho de Bento foi a participação no Euro2012, mas também aí tivemos de ir a um play-off para estarmos na Polónia e Ucrânia. No fase final com um pouco mais de risco tínhamos vencido a Espanha e chegado à final. A selecção nunca praticou bom futebol durante a Era Bento, razão pela qual não há registo de goleadas. Ao invés, os jogos contra equipas fracas foram sempre sofríveis. Já expliquei as razões pelos quais fiquei contente com esta decisão. Agora é tempo de dar à selecção aquilo que os nossos jogadores merecem.

sexta-feira, 12 de Setembro de 2014

Tal como eu previa.........houve muita lama nos debates

Tal como era esperado os dois primeiros debates entre António Costa e António José Seguro serviram para troca de acusações e insultos, bem como perceber quem estava mais ligado ao penoso passado socialista sob a liderança de José Sócrates. Não há forma de mudar as coisas e o terceiro confronto não vai fugir à regra habitual. 

É pena que os debates não tenham servido os simpatizantes que vão votar pela primeira vez numas primárias organizadas por um partido político em Portugal. Aqueles que não estão obrigados a votar nas listas apoiadas pelas respectivas federações vão decidir o vencedor. Ao contrário do que se diz por aí, este modelo não foi um sucesso que não será adoptada por mais nenhuma força partidária. Neste aspecto quem perde é António José Seguro porque foi ele o "inventor" desta acção eleitoral, mas que teve apenas em linha de conta os seus interesses pessoais. Seguro vai entrar como derrotado no próximo dia 28. 

António Costa tem tentado adoptado uma atitude de low-profile, mas não tem conseguido porque também tem muitos telhados de vidro e de facto, tem um problema chamado José Sócrates. Embora não seja visível do ponto de vista mediático, há muitos dirigentes históricos que não gostam do antigo primeiro-ministro. Poderia dizer que o governo tem ganho com isto tudo, mas isso é uma evidência tão grande que nem vale a pena gastar palavras para referir isso.

quinta-feira, 11 de Setembro de 2014

As quatro razões para a saída de Paulo Bento

A derrota da selecção nacional na primeira jornada da fase de grupos do apuramento para o Euro 2016 coloca em causa a continuidade de Paulo Bento já que a participação no Mundial também não foi famosa. 

Por muito menos Carlos Queiroz foi despedido após o Mundial da África do Sul há quatro anos. É verdade que os presidentes eram diferentes, mas a atitude perante os maus resultados e as fracas exibições tem de ser radical. 

Em primeiro lugar Paulo Bento falhou os objectivos a que se propôs. No Mundial disse que pretendia chegar aos Oitavos-de-final e foi aquilo que todos vimos e neste primeiro jogo rumo ao Euro 2016 também não logrou vencer e convencer. As expectativas da FPF não foram cumpridas no Brasil nem em Aveiro. 

Em segundo lugar e o mais importante é que a selecção não joga nada. E não me venham com a história de não termos jogadores. A maioria joga nos principais clubes portugueses e europeus. No entanto, a base de recrutamento não pode ser sempre a mesma. Viu-se em Aveiro que André Gomes, Ricardo Horta e William Carvalho são muito melhores do que Vieirinha, Raúl Meireles e Miguel Veloso. Embora não tenhamos pontas-de-lança espero que Paulo Bento não cometa a loucura de voltar a convocar Postiga e Hugo Almeida. Se assim for, franceses e dinamarqueses agradecem. 

Em terceiro lugar não se entende as não convocatórias de Ricardo Quaresma e Danny. O primeiro é um talento e não percebo porque razão Paulo Bento continua a exclui-lo, mesmo que haja problemas disciplinares por detrás desta opção. O jogador do Zenit também está na mesma situação do mustang. Como não sabemos as razões da não convocação destes dois jogadores podemos efectuar as especulações que bem entendermos. 

Em quarto e último lugar as pessoas deixaram de acreditar nesta equipa. E quando assim é já não há balão de oxigénio que salve o seleccionador. Senão vejamos: na próxima jornada Portugal defronta a França num particular antes de viajar para Copenhaga. Uma má exibição contra os franceses, mesmo num amigável, vai colocar muita pressão num jogo que é decisivo num grupo que tem poucos jogos e por isso, é difícil recuperar das desvantagens pontuais. 

Por estas quatro razões entendo que Paulo Bento deve sair do comando técnico da selecção nacional. Não esperemos por mais outra desgraça para agir. 

O balde europeu gelado

Temos sempre a tendência natural e genética para nos focarmos apenas num ponto da agenda mediática, seja política ou não, sendo que esse mesmo foco serve ainda para desviar a atenção de outras temáticas tão ou mais relevantes. Aliás, do ponto de vista político essa é uma técnica comunicacional recorrente: lançar para a opinião pública o acessório para desviar eventuais polémicas sobre o essencial.
Sendo certo que as primárias socialistas têm impacto directo no futuro político e governativo do país, mesmo que assunto interno do PS, passou completamente ao lado, ofuscada pelos resultados das federações socialistas e pela realização dos dois debates televisivos (TVI e SIC) entre António José Seguro e António Costa, a nomeação do comissário europeu português, Carlos Moedas, para a pasta da Investigação, Ciência e Inovação. Excepção para algumas notícias na “hora”, duas ou três declarações políticas e pouco mais, excluindo um rol significativo de piadas/anedotas envolvendo “moedas” e “notas”.
Deixo, por enquanto, a análise às primárias para o Francisco, que tão bem tem acompanhado o desenrolar dos acontecimentos, reservando mais para o aproximar do dia da decisão socialista algumas palavras. Até porque entre a política e o futebol há uma ou outra semelhança: no fim é que se fazem as contas.
Assim sendo, a nomeação do Eng. Carlos Moedas, até então Adjunto do Primeiro-ministro, merece algumas considerações de forma muito telegráfica.
A indicação, por parte de Pedro Passos Coelho, de um nome para Comissário Europeu não foi de todo nem pacífica, nem clara, pelo menos para a opinião pública. Quando tudo indicava a saída do Governo de Maria Luís Albuquerque ou a indicação de alguém que tivesse estado ligado à oposição (o que não seria novidade), a primeira surpresa surge com a indicação do nome de Carlos Moedas. E surpresa porque não era expectável que Passos Coelho abrisse mão do que foi até agora (e juntamente com Miguel Relvas) o braço direito do Primeiro-ministro e muito do mentor político da actuação deste Governo.
Por outro lado, surge a segunda surpresa. Afigurava-se, mesmo que difícil, alguma capacidade de negociação em relação à pasta a atribuir ao comissário português. Daí que não seria de estranhar a saída da Ministra das Finanças com a perspectiva de uma pasta na área económica, fiscal, financeira e orçamental, ou na área social (emprego, por exemplo). Isto para não falar nas importantes pastas nacionais como a agricultura e as pescas ou o desenvolvimento regional. Mas por mais esforço que o Governo, a posição (PSD e CDS) e Carlos Moedas façam, saiu-nos o tiro pela culatra.
Não vale a pena querermos tapar o sol com a peneira. Tal como os ministérios nacionais, há pastas na Comissão Europeia com um peso económico, político e social mais relevante que outras. Para além disso, há pastas europeias que têm uma importância acrescida para o desenvolvimento nacional e que Portugal só teria, em teoria, a ganhar com a nomeação de um comissário europeu português para essas áreas. Basta recordar as mais recentes afirmações da directora do FMI, Christine Lagarde, indicando a Espanha como “o único país da zona euro a progredir devido às reformas estruturais”. Não por acaso, o espanhol  Joaquín Almunia foi, durante vários anos, comissário europeu da “era Durão Barroso” para os assuntos Económicos e Monetários. Nós nem a presidência da Comissão Europeia soubemos aproveitar, mesmo que agora venha aí “uma pipa de massa”.
Calhou-nos, desta vez, uma pasta sem tradição em Portugal, numa área tão mal tratada e abandonada pelas políticas nacionais, uma pasta claramente muito mais técnica que política, sem capacidade de pressão europeia. Um balde de água fria que o facto de Carlos Moeda ir gerir um dos maiores orçamentos europeus disfarça ou aquece.

quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Estratégia de Costa não chega para empatar

No segundo deste duelo televisivo entre os candidatos às primárias do próximo dia 28, houve um ligeiro ascendente de Costa, mas só porque Seguro gastou as balas todas no debate de ontem. António Costa usou a mesma forma ofensiva utilizada na véspera. Está claro que esta é uma forma que cada candidato tem para ganhar pontos nas sondagens que são feitas após os debates. Houve muitos insultos no segundo round e o facto dos concorrentes continuarem a tratarem-se por tu descredibiliza os dois homens porque parece que estão sentados numa mesa de café em amena cavaqueira. 

Apesar do ligeiro ascendente não chega para António Costa empatar com António José Seguro no ranking por nós efectuado. Só falta um debate para o ainda presidente da Câmara Municipal de Lisboa ter os mesmos pontos que o secretário-geral socialista. No entanto, se Seguro apertar com Costa sobre a manutenção na Câmara e a tardia renuncia do mesmo em sair da Quadratura do Círculo ainda pode vencer esta competição. O problema é que isso não vai chegar para ganhar o partido e os simpatizantes.

A Lei Megan à portuguesa

A Lei de Megan é a designação para as leis nos Estados Unidos que tornam públicas listas que contêm registos (vários) de cidadãos condenados por crimes sexuais.
É pública a minha posição relativa a crimes que limitem ou violem dois dos principais direitos fundamentais: o maior de todos, a vida; e os que atentam contra a dignidade humana, qualquer que seja a sua natureza. Entram, portanto, neste rol, a título de exemplo, os homicídios, as violações, as mutilações, os raptos, as coacções psicológicas, a liberdade de opinião, a privacidade e intimidade, e, claro, os abusos sexuais onde se incluem os crimes de pedofilia. E é sobre estes…Recentemente, a Ministra da Justiça, qui ça para desviar a atenção da controversa implementação do novo mapa judiciário (do qual até nem discordo de todo) ou da colapso do sistema Citius, lançou a debate público (pela segunda vez este ano) uma proposta de lei que possibilite a existência de uma base de dados com informação sobre pedófilos condenados, acessível a pais de filhos menores de 16 anos de idade.
A questão não está nem no timing, nem no facto da Ministra Paula Teixeira da Cruz ter lançado a questão a debate, o que aliás é meritório. O problema reside na forma e na abordagem leviana com que a temática foi lançada.
Que o assunto é relevante, isso não se questiona. Mas o que Paula Teixeira da Cruz se esqueceu é que o mesmo assunto comporta em si um conjunto de reflexões que não foram tidas em conta na conferência de imprensa que a ministra concedeu e onde abordou a proposta de lei.
O crime de pedofilia é algo que me repugna, que reputo de obsceno, horrendo, inqualificável e inaceitável. Algo para o qual não encontro qualquer desculpa ou justificação. Aliás, do ponto de vista da vítima, é algo que se sabe irreparável ou muito dificilmente apagável (nem me atrevo a dizer, pagável, sequer). Só que o direito à privacidade e intimidade é também algo importante.
Para sustentar a aplicação de uma Lei Megan em Portugal (algo que deve existir do ponto de vista de investigação criminal, exclusivamente no seio da PSP, GNR, PJ, Ministério Público e Ministério da Justiça), com acesso (ao) público, mesmo que apenas através da polícia (o que não garante confidencialidade, nem salvaguarda a quebra de segredo, sigilo ou de risco de publicação/divulgação), era importante que a Ministra da Justiça tivesse ido muito mais longe que um mero e escusável: “o grau de reincidência é louco”, justificando-se com a informação de 90% de reincidências nestes crimes, quando a própria Procuradora-Geral da República apresentou como dado de reincidências sexuais o valor de 20%. E é aqui que Paula Teixeira da Cruz falhou.
Que estudos existem que sustentam a eficácia da Lei de Megan? Quais os dados concretos e reais de taxas de reincidências? No caso das reincidências quantas é que são cometidas sobre as mesmas vítimas? Qual a taxa de condenações por estes crimes, em Portugal? Que estudos avaliam a relação (pessoal, familiar, profissional, nenhuma) dos criminosos com as vítimas? Que estudo existe que avalie o impacto da Lei Megan no combate aos crimes de abuso sexual?
Assim como Paula Teixeira da Cruz não referiu qualquer outra das preocupações que foram já expressas por Pais, Escolas, Associação de Apoio à Vítima (APAV), juristas, advogados, ex-bastonários e ex-procuradores. Por exemplo, quererá a Ministra da Justiça dizer que o Código Penal é ineficaz e a moldura penal insignificante? Que os Tribunais são benevolentes perante estes casos? Que não há suficiente investigação criminal? Quererá a Ministra dizer que não há o conhecimento real do número de pedófilos condenados, nem o seu acompanhamento criminal? Que está disposta a abrir um preocupante e perigoso precedente quanto ao direito à privacidade e ao bom nome (por exemplo, colocando em risco as famílias)? Que não existe estruturação jurídica e social para a reinserção dos criminosos? Que não há, por parte do Estado e das Instituições, o cuidado com a protecção e apoio às vítimas? Nem um dado, nem uma informação… nenhuma resposta. A Ministra da Justiça foi rebuscar numa directiva europeia (que não obriga a uma Lei Megan) a solução milagrosa para o flagelo da pedofilia: a justiça na praça pública e pelas mãos próprias (até porque é muito mais barata uma justiça popular). Já que a “justiça” que coordena e pela qual é a máxima responsável anda pelas ruas da amargura.

terça-feira, 9 de Setembro de 2014

Seguro ganha o primeiro round

O debate entre os candidatos a primeiro-ministro socialista foi mais do mesmo. Não houve novidades de maior, não se descobriram diferenças de maior em termos ideológico. É pena que assim seja porque assim os simpatizantes, e não os militantes, que vão votar no dia 28 precisam de saber as ideias dos dois candidatos. Enfim, temos de nos habituar a este tipo de troca de discursos. 

Apesar de tudo houve coisas que merecem análise. Estou com a maioria dos comentadores que consideram António José Seguro como vencedor do primeiro round. Seguro fez bem em ter encostado à primeira oportunidade António Costa e o facto de o ter traído. Perante esta situação, Costa nem pestanejou o que revela bem da sua atitude perante o cenário eleitoral. Também acho que o ainda presidente da Câmara de Lisboa cometeu uma traição ao seu líder. Em 2013 houve legislativas e não avançou porquê? A esta pergunta António Costa ficou calado. 

O problema é que Seguro prometeu não aumentar impostos quando for primeiro-ministro. Agora vai com esta promessa para São Bento. 

António Costa esteve sempre muito à defesa e sempre à espera dos ataques de Seguro. Na minha opinião isso não é bom para quem tenta conquistar os militantes socialistas, mas também os simpatizantes. Costa acha que com esta postura pode ganhar, o problema é que em política as coisas não funcionam assim. Estes debates podem ser importantes na definição do vencedor final porque a última imagem é a que fica. 

Embora tenhamos assistido a um vazio, Seguro está em vantagem para o debate de amanhã.

A divisão da Ucrânia é um facto consumado

O cessar-fogo na Ucrânia durou poucos dias. Como seria de esperar, os rebeldes ou seja lá quem for não respeitou o acordo alcançado na sexta-feira passada. Nesta sucessão de acontecimentos negativos e positivos, devo confessar que o comportamento do novo presidente Petro Poroshenko tem sido impecável, já que tem feito tudo para alcançar a paz. Ao contrário do que acontece com os radicais de Kiev, o chefe de Estado tem cumprido bem o seu papel. Não é por causa do novo presidente que os separatistas não vão cumprir o acordo, mas pela presença dos extremistas que ocupam lugares de governo. Contudo, os militantes pró-russos pretendem ficar com o leste, não se interessando por Kiev. 

Sempre achei que o cessar-fogo não iria ser cumprido porque os interesses dos separatistas e de Kiev choca com o desejo de Poroshenko, Bruxelas e Washington. Perante este cenário é difícil alcançar a paz permanente e reconstruir o país. Na minha opinião a Ucrânia nunca mais voltará a ser um país unido porque será uma questão de tempo até que o leste fique definitivamente nas mãos dos rebeldes e das milícias que controlam a maioria das cidades, além de que esta guerra abriu feridas. Vai ser difícil a russos-ucranianos e ucranianos viverem juntos no mesmo país, sob a mesma bandeira e cantando um hino semelhante. No entanto, a separação não será fácil e vai custar muitas vidas inocentes bem como negociações difíceis e exigentes. Também não acredita que Moscovo queira ficar com a parte leste da Ucrânia. Será um novo país que será independente da Rússia. 

A atitude mais inteligente de Poroshenko será incluir a Rússia, EUA e Bruxelas na definição de um novo mapa para a região. Caso uma das partes decida excluir alguém não vai haver acordo e este conflito armado promete ser longo.

segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Muita lama nos debates televisivos

Esta semana vai marcar o início dos debates televisivos entre os candidatos às primárias do partido socialista. António José Seguro e António Costa vão poder dizer cara-a-cara aquilo que têm dito nos comícios e nas mais recentes entrevistas. Os debates podem ser esclarecedores ou servir para lavar roupa suja. Estou em crer que vai ser a segunda opção uma vez que em termos de ideias políticas não vimos nada. E dificilmente a televisão vai ser aproveitada pelos candidatos para esclarecer os simpatizantes que vão votar. Se tanto Seguro como Costa não querem convencer politicamente os militantes, era bom que tentassem chamar para si aqueles que não são do PS, mas querem participar no acto eleitoral. Ora, na minha opinião com esta campanha miserável as primárias vão morrer logo depois do dia 28 de Setembro. 

Temo bem que amanhã e quarta-feira os dois candidatos vão lançar farpas um ao outro. Na minha opinião será Seguro quem aproveitará para tentar minimizar o outro concorrente. Pelo que se tem visto, o actual secretário-geral socialista está muito mais frustrado com o que está a acontecer. A sua manobra não teve o resultado esperado, já que Costa tem esmagado nas sondagens e ganhou a maioria das federações. 

Neste aspecto, o PS é muito pior do que o PSD por causa dos bastiões que existem dentro da estrutura partidária. Não são nobres ou notáveis, mas pessoas com muita influência que, não só mandam no partido, como o fazem em Portugal. São estas pessoas que estiveram com Seguro e agora estão ao lado de Costa porque é ele o único que ainda tem algumas hipóteses de vencer Passos Coelho. No entanto, os mesmos vão deixar cair Costa logo após uma eventual derrota nas legislativas. 

Do apego ao poder

Em Portugal há muito a tendência das pessoas que ocupam lugares de topo ficarem agarrados ao poder durante muito tempo, mesmo que estejam a prejudicar o bom funcionamento das instituições que representam. Vem isto a propósito dos maus resultados da selecção nacional de futebol e do caos que se vive na liga de clubes. Tanto num caso como no outro estamos perante duas situações de  pessoas (Paulo Bento e Mário Figueiredo) que não têm condições para continuar a exercer as respectivas funções, mas continuam agarrados ao poder porque essa é a única forma de sobreviverem, porque quando estiverem no desemprego dificilmente voltam ao activo.

Apesar das situações futebolísticas referidas na política ocorrem mais casos destes. Veja-se a forma como António José Seguro arranjou para sair de secretário-geral do PS o mais tarde possível. 

Ao medo de perder o cargo está igualmente uma fobia em deixar de poder fazer tudo o que se entender. Ou seja, dar um passo rumo à demissão significa ficar sem poder em dois sentidos: de ser o responsável pelas decisões, mas também de ir além das próprias escolha, ou seja, chegar ao ponto de efectuar manobras ilegais para continuar a exercer funções. O problema é que há sempre a possibilidade de "recorrer à bomba" para tirar quem não quer sair. 

Esta situação é muito característica em vários sectores da sociedade portuguesa uma vez que há muitas pessoas que se acham dono do mundo ou mesmo "dono disto tudo". 

Nas três situações acima referidas todas vão acabar para os principais protagonistas. Paulo Bento vai sair da selecção por força dos resultados, mas também porque o presidente da FPF vai perceber que já não dá mais. O jogo com a Dinamarca vai ser o último de Bento à frente da selecção das quinas. Mário Figueiredo vai deixar de ser presidente da Liga porque os tribunais não lhe vão dar razão na providência cautelar que interpôs para evitar que a decisão do Conselho de Justiça da FPF em realizar eleições antecipadas na Liga. Por fim, António José Seguro não será o escolhido pelos simpatizantes e militantes do PS para ser o próximo candidato socialista a primeiro-ministro.

Dos falsos poderosos não reza a história até porque todos saem pela porta pequena.

domingo, 7 de Setembro de 2014

Olhar a Semana - Uma nova forma de intervenção dos EUA no mundo

Ao longo da minha actividade como jornalista especialista em assuntos internacionais tenho vindo a perceber que a influência dos Estados Unidos da América nas grandes questões ainda é grande. Pode estar um bocado diminuída pelo falhanço em alguns conflitos, mas continua a ser uma super potência.

A cimeira da NATO que decorreu esta semana em Cardiff foi um bom exemplo disso mesmo. Quem foi o porta-voz da reunião, embora o anfitrião tenha sido David Cameron? Foi o presidente Barack Obama. Não foi por acaso que depois da cimeira ficou definido uma intervenção da NATO na Ucrânia e uma coligação dos aliados no Iraque tendo em vista a eliminação do Estado Islâmico. Tanto num caso, como no outro os EUA estão a liderar as operações militares e as negociações diplomáticas. Aliás, é por vontade norte-americana que a Rússia deixou de fazer parte do G-8 e está a ser excluída das grandes decisões mundiais. 

Na minha opinião Barack Obama é diferente de George W.Bush porque utiliza mais a diplomacia em vez das armas, mas não só. O actual presidente é muito mais convincente daquilo que é melhor para os EUA do que antecessor. A política tem sido a forma utilizada por Obama para chegar ao seu objectivo, nunca deixando de impor a sua vontade. Veja-se o caso do Iraque e da Ucrânia em que os EUA estão a conquistar os seus objectivos em termos políticos. E isso é resultado da boa política delineada pelo chefe de Estado norte-americano. 

Considero Obama um estratega político que usa muito bem os media para passar uma mensagem da sua força, mas também do poder dos EUA. A utilização da política como meio de persuasão e demonstração de força também está ligada ao facto das autoridades norte-americanas pretenderem reduzir a presença militar um pouco por todo o mundo. Em meu entendimento a actual opção norte-americana no que diz respeito à política externa tem sido a mais correcta. 

sábado, 6 de Setembro de 2014

Figuras da Semana XV

Após ter terminado a temporada de Verão voltamos com as nossas escolhas em relação às figuras da semana:

Por Cima 

Ucrânia - A semana começou ameaças de sanções à Rússia, uma eventual presença de tropas da NATO no leste ucraniano e terminou com um cessar-fogo entre as forças do exército ucraniano e os separatistas pró-russos. Não se sabe durante quanto tempo o acordo vai ser respeitado, mas este é um primeiro passo para haver um caminho tendo em vista as negociações políticas que vão ser mais complicadas do que os combates militares no terreno. O pós cessar-fogo será devidamente analisado, mas para já, cumpre aplaudir o facto do fogo ter sido suspendido temporariamente. 


No Meio 

Face Oculta - Se atendermos às condenações podemos dizer que se tratou de um dia histórico para a justiça. Contudo, o facto dos arguidos recorrerem das decisões pode fazer com que Armando Vara e José Penedos não cheguem a entrar na cadeia. A falta de celeridade processual pode fazer com que a sentença em primeira instância seja um rotundo fracasso. O único que vai dentro, mesmo com recurso a 2ªinstância, é Manuel Godinho porque apanhou 17 anos.


Em Baixo

Ministra da Justiça - Uma vergonha o que se passou com o início do novo mapa judiciário. É normal que haja algumas complicações nos primeiros tempos, mas cabe ao Estado, garantir que esteja tudo pronto para o arranque das reformas. Normalmente as mudanças efectuam-se com alguma antecedência. No entanto, o pior foram as declarações de Paula Teixeira da Cruz que já fiz referência. A governante prometeu mais uma vez "justiça" em outro caso judicial mediático. Ora, quando é que a ministra vai aprender a fazer reformas e não abrir a boca para comentar casos que estão nas mãos do ministério público?


sexta-feira, 5 de Setembro de 2014

Velhos aliados, diferentes posições

Os velhos aliados têm estratégias diferentes para combater a ameaça do ISIS. Os EUA já se sabe que vão bombardear os campos dos militantes até que não reste mais nada, mesmo que para isso tenham de morrer cidadãos norte-americanos como foi o caso dos jornalistas Foley e Stotfoll. A política da Casa Branca parece-me acertada porque não se deve ceder a ameaças, até porque ninguém sabe o que aconteceria aos dois homens decapitados em caso de cessar-fogo norte-americano. Alguns analistas entendem que o EI não tem forma de se defender das bombas e por isso utiliza este tipo de resposta. Embora tenham nas suas fileiras homens bem treinados e com capacidade, é natural que quem anda de aldeia em aldeia com carros a espalhar o terror não tenha grandes condições de autodefesa. O problema é que o grupo não esperava uma reacção norte-americana em defesa dos curdos. 

Esqueçamos os guerrilheiros iraquianos e voltemos à posição de Cameron. Perante a ameaça do EI decapitar um cidadão britânico, Cameron garantiu que o Reino Unido não irá intervir no Iraque. É curioso que esta posição seja contrária à de Tony Blair que recentemente sugeriu mais um ataque no país. 

Também não deixa de ser interessante que os dois mais velhos aliados de sempre (EUA e UK) não estejam unidos nesta questão. Percebo a posição de Cameron, mas também de Obama. Neste momento não há nada a fazer no Iraque a não ser garantir um apoio político, mas isso é tema que só interessa a Washington porque Londres já deixou de tentar exercer a sua influência além fronteiras. Aliás, Cameron é um homem que se preocupa apenas com o poder do Reino Unido dentro do país. 

Ao contrário do que acontece com a Casa Branca, o número 10 em Downing Street está a considerar todas as hipóteses para salvar David Haines, incluindo pagar um resgate. É perfeitamente natural que o primeiro-ministro britânico reaja desta forma. 

Na minha opinião a situação no Iraque revela bem que os EUA e o Reino Unido, não estão só distantes em termos militares, mas também ideologicamente. 

quinta-feira, 4 de Setembro de 2014

Dona Paula de la Mancha

Considero que Paula Teixeira da Cruz tem feito um bom trabalho à frente do Ministério da Justiça. Apesar do novo mapa judiciário ainda estar em fase de contentores, acho que é essencial para o país ter menos tribunais e que haja uma maior concentração de meios, bem como dos várias áreas. No entanto, a governante peca pelo seu estilo "Don Quixoteano". 

Na entrevista concedida ontem à RTP, permitem-me que a trate por Paula, disse que o caso BES irá a tribunal. Ora, ou a ministra já tem informações ou então está a efectuar uma sugestão. Tanto num primeiro como no segundo caso, as declarações são inaceitáveis. Se a governante sabe que há indícios criminais antes dos agentes judiciais terem actuado é um mau princípio, porque os primeiros a saber devem ser aqueles que podem cair nas mãos da justiça. Ou seja, a notificação deve ser conhecida em primeira mão pelo destinatário. Com isto, Teixeira da Cruz ou Paula, coloca em alerta todos aqueles que supostamente cometeram indícios criminais na gestão do BES. Caso esteja a fazer pressão política sobre os órgãos judiciais, também não se pode aceitar esta situação uma vez que é próprio de um Estado de Direito a separação entre os poderes políticos e os judiciais. 

Não é a primeira que esta mulher tem uma atitude à D.Quixote de la Mancha, como se fosse uma justiceira que pede a condenação dos mais fortes. O problema é que os visados acabam sempre por se safar. Acho que Paula Teixeira da Cruz não está a fazer pressões, sendo certo que a primeira característica é a que lhe fica melhor. No entanto, uma ministra com esta pasta não pode ter este tipo de declarações públicas. 

Na minha opinião, Dona Paula de la Mancha ficaria muito melhor se continuasse a resolver os problemas concretos da justiça, como é o facto de algumas audiências estarem a decorrer em contentores. Não aqueles que pertencem aos Xutos e Pontapés.
Share Button

Rubricas do blogue

olhar a semana (212) Historia Olhar Direito (126) Larissa Bona (119) Mundial 2014 (85) História de Portugal (84) A Caminho do Maracanã (79) Brasil (79) a Olhar a Imagem (67) Futebol (66) A Grande Viagem dos Salmões (65) Mundial 2010 (65) Assembleia de Pinguins (61) Desporto (58) USA 2012 Election (58) Eleições Legislativas 2009 (57) PS (55) Figuras e Factos 2000-2010 (53) História das bandeiras (51) António José Seguro (45) crise (45) Politica (43) Governo (41) Política (39) Autárquicas 2013 (38) Mulheres (38) Tema do Dia (38) Pedro Passos Coelho (37) Rumo ao Mundial 2010 (36) Sondagens (36) Cavaco Silva (34) Benfica (32) Expressodalinha (32) a Olhar de fora........ (32) PSD (31) Por um Portugal Diferente 2011 (30) UNIÃO EUROPEIA (30) Causas e Coisas (28) Ideias Políticas (27) economia (26) 1º concurso de poesia (25) Olhar o Livro (24) Palpites (24) CDS (23) Duelos Intelectuais (23) Eleições Gerais no Brasil 2010 (23) Barack Obama (22) Cine Direito (22) FC Porto (22) Sporting (22) Troika (22) Uma Perspectiva de Macau (21) paulo portas (21) Estados Unidos da América (20) História dos Mundiais de Futebol (20) Presidenciais 2011 (20) Eleições Europeias 2009 (19) História do Brasil (19) Justiça (19) PR (18) Figuras da Semana (17) Olhar o Verão (17) a Olhar o Mundo... (17) Cartaz Cultural (16) José Socrates (15) Rússia (15) Ucrânia (15) 1º Duelo Intelectual Olhar Direito (14) 25 DE ABRIL (14) Orçamento (14) Presidenciais Norte-Americanas 2008 (14) Tribunal Constitucional (14) A favor ou Contra (13) Austeridade (13) Conferências (13) Desafios (13) Eleições europeias 2014 (13) Reino Unido (13) View From The USA (13) vitor gaspar (13) Tertulia Virtual (12) Especial 5º aniversário - Momentos Olhar Direito (11) Figuras do nosso Tempo (11) Manifestação (11) Oposição (11) Participações (11) Rip Curl Pro Search 2010 (11) Selecção (11) UK Election´10 (11) António costa (10) Argentina (10) Estórias de Piccadilly (10) Fotografias National Geographic (10) Germany (10) Mário Soares (10) RTP (10) Reforma do Estado (10) Jorge Jesus (9) Portugal (9) Tábula Rasa in Região de Leiria (9) antonio costa (9) miguel relvas (9) David Cameron (8) Entrevista (8) Especial Eleições : Um PSD no Governo? (8) Kiev (8) Olhar a Pintura (8) Primárias 2014 (8) Siria (8) lei (8) Época 2013-2014 (8) Artigos do I (7) BE (7) Brazil (7) Coldplay em Portugal (7) Esquerda (7) Federações do Brasil (7) Humor (7) Julgamento Político (7) Marcelo Rebelo de Sousa (7) Maria Luís Albuquerque (7) Monumentos e Figuras (7) Parlamento (7) Paulo Bento (7) Prémios Personalidade do Ano (7) Sociedade (7) Violência (7) 40 anos do 25 de Abril (6) Belgium (6) Colombia (6) Costa Rica (6) France (6) Merkel (6) Naquele Tempo (6) Netherlands (6) Papa Francisco (6) Partidos (6) Ténis (6) sindicatos (6) Crimeia (5) Democracia (5) Escrita Criativa (5) Formas de Arte (5) François Hollande (5) Igreja (5) Internacional (5) Luís Filipe Menezes (5) Papa (5) Privatizações (5) Rui Moreira (5) Rui Rio (5) Saga do FMI em Portugal (5) TC (5) Videos Olhar Direito (5) ciclismo (5) greve geral (5) Algeria (4) Angela Merkel (4) BES (4) Bruno de Carvalho (4) CGTP (4) Catalunha (4) Chile (4) China (4) Duelos Intelectuais II - A indignação social (4) Duelos Intelectuais III - A Europa (4) Eleições (4) Eleições PSD 2008 (4) Especial "Uma Opiniãozinha" (4) Europa (4) FMI (4) Fernando Seara (4) Greve (4) Irão (4) Itália (4) Jornadas Esquerda Vs Direita (4) Mexico (4) Nigeria (4) PCP (4) Pinto da Costa (4) Presidenciais 2016 (4) Primeiro-Ministro (4) Switzerland (4) USA (4) Uruguay (4) Viajar pela Holanda (4) Vladimir Putin (4) défice (4) estado social (4) facebook (4) jornalismo (4) monarquia (4) referendo (4) Época 2014-2015 (4) Administração Publica (3) Alemanha (3) Anedotas (3) Bancos (3) Bosnia (3) Cameroon (3) Chipre (3) Conferências Olhar Direito (3) Congresso PSD (3) Cristiano Ronaldo (3) Croatia (3) Direito (3) Doping (3) Egipto (3) England (3) Equador (3) Escócia (3) Especial Benfica vs FC Porto 2012 (3) Eurogrupo (3) Eusébio (3) Eventos (3) FIFA (3) Falar de Abril (3) Fotografias do Meu Bairro (3) Fotos National Geographic (3) França (3) Ghana (3) Gourmet (3) Greece (3) Histórias de encantar (3) Honduras (3) I Debate (3) II Duelos Intelectuais - A Indignação social (3) Impostos (3) Independência (3) Iran (3) Isaltino Morais (3) Israel (3) Italy (3) Ivory Coast (3) João Almeida (3) Lance Armstrong (3) Let´s Talk about Turkey (3) Liberdade (3) Luís Filipe Vieira (3) Macau (3) Nelson Mandela (3) Obamacare (3) Olhares de Abril 2009 (3) Olhares de Londres (3) Presidente da Republica (3) Prémios Acontecimento do ano (3) Real Madrid (3) Regresso (3) República (3) Silvio Berlusconi (3) South Korea (3) Spain (3) a caminho do Maracanâ (3) coligação (3) comunicação social (3) debate (3) redes sociais (3) viajar por França (Paris) (3) 1ªConferência Olhar Direito (2) 2º aniversário (2) Animais (2) António Capucho (2) António Guterres (2) Arbitragem (2) Arménio Carlos. (2) Assunção Esteves (2) Austrália (2) Autarquias (2) Bancada Direita (2) Barómetro Político Olhar Direito; Barómetro Político OLHAR DIREITO - A FIGURA DE ESTADO (2) Barómetro Político Olhar Direito; Barómetro Político OLHAR DIREITO - A actuação do governo (2) Barómetro Político Olhar Direito; Barómetro Político OLHAR DIREITO - Qual o melhor lider partidário (2) Benfica campeão (2) Blogesfera (2) Bloggincana (2) Boavista (2) Bruma (2) CPLP (2) CRP (2) Conselho de Estado (2) Espanha (2) Estado da União (2) Federalismo (2) Francisco I (2) Governo dos Segredos (2) Grécia (2) Guiné-Equatorial (2) Hassan Rouhani (2) Iraque (2) Japan (2) John Kerry (2) Leonardo Jardim (2) Liga (2) Liga Europa (2) Lisboa (2) Madrid (2) Manuel Valls (2) Mercados (2) Michelle Brito (2) Mitt Romney (2) Natal (2) Novo Papa (2) Olhar o Mote (2) Olhares de Portugal (2) Palestina (2) Paulo Fonseca (2) Pensar o País (2) Personalidade do Ano 2009 - Olhar Direito; Prémios Personalidade do Ano (2) Personalidade do ano 2011 (2) Pires de Lima (2) Ponte (2) Portugal Open (2) Previsões (2) Primários 2014 (2) Remodelação (2) Robert Gates (2) Rui Costa (2) Rui Tavares (2) Russia (2) Ryder Cup 2010 (2) TAP (2) TERTULIA OLHAR DIREITO (2) Televisão (2) Tribunais (2) Valentim Loureiro (2) Valores (2) Visita de Estado (2) Vitor Pereira (2) Volta a França (2) cidadania (2) constituição (2) cortes (2) desemprego (2) educação (2) fotografias Debora Santa Lucia (2) jean claude juncker (2) jornalistas (2) luta (2) mentira (2) militares (2) personalidade do ano 2010 (2) personalidade do ano 2012 (2) publicidade/parcerias (2) socialismo (2) .. (1) 10 de Junho (1) 1ª TERTULIA OLHAR DIREITO (1) 1º de Abril (1) 2013 (1) 2014 (1) 5 de Novembro (1) 5º aniversário (1) ADLEI (1) ASEAN (1) Acontecimento do Ano 2012 (1) Acontecimento do ano 2011 (1) Advogados (1) Ajuda financeira (1) Al-Sisi (1) Alberto João Jardim (1) Alcool (1) Alex Ferguson (1) Amnistia Internacional (1) Ana Gomes (1) Andy Murray (1) Aniversário (1) Ano Novo Lunar (1) António Borges (1) António Marinho Pinto (1) Apartamento (1) Aprovação (1) Arte no feminino (1) Artur Mas (1) Assembleia da República (1) Atlético Madrid (1) Australia (1) Automobilismo (1) Autonomia (1) Autoridade (1) Avaliação (1) Barómetro Político OLHAR DIREITO (1) Bashar Al-Assad (1) Berlusconi (1) Big Brother (1) Bloco central (1) Boas Festas (1) CNE (1) Cairo (1) Caixa Geral de Depósitos (1) Campo Pequeno (1) Canadá (1) Carlo Ancelotti (1) Carlos Carreiras (1) Carlos Moedas (1) Catolicismo (1) Chicago Tribune (1) Clássicos das Autárquicas (1) Coelho (1) Conflitos sudeste asiático (1) Congresso (1) Conservadores (1) Conspiração (1) Coreia do Norte (1) Coreia do Sul (1) Corrida de Touros (1) Corrupção (1) Costinha (1) Crentes (1) Cromos da Bola (1) Delta do Ria das Pérolas (1) Descoordenação (1) Dia dos Antepassados (1) Diabo (1) Dinamarca (1) Dinheiro (1) Directas (1) Direito brasileiro (1) Diversao (1) Drácula dos Impostos (1) Duarte Marques (1) Durão Barroso (1) EDP (1) EVENTOS OLHAR DIREITO (1) Ed Miliband (1) Eleições Autárquicas 2009 (1) Eleições americanas (1) Encontro (1) Espaço (1) Especial 3º Aniversáio (1) Especial Centenário da Republica (1) Estádio da Luz (1) Eutanasia (1) Expresso (1) Fama (1) Família (1) Felicidade (1) Festival Rota das Letras (1) Filipa Saragga (1) Fim do Mundo (1) Fiscalização Sucessiva (1) Fotografias CB (1) Francisco Assis (1) Frases e Pensamentos (1) Fórmula 1 (1) G-8 (1) George W.Bush (1) Girafa (1) Gondomar (1) Greve de jornalistas em Guangdong (1) Guy Fawkes (1) Helena Roseta (1) Hillary Clinton (1) Historias Olhar Direito - Assembleia de Pinguins (1) Histórias dos Mundiais de Futebol (1) Hosni Mubarak (1) Hugo Chavez (1) IRS (1) IVA (1) Ideias (1) Imagem (1) Individualismo (1) Inflacção (1) Instituições democráticas (1) Isabel Jonet (1) Jaime Neves (1) Japão (1) Joaquim Pais Jorge (1) Jogo (1) Jorge Moreira da Silva (1) Joseph Blatter (1) José Mourinho (1) José Rodrigues dos Santos (1) José Sócrates (1) João Cordeiro (1) João Loureiro (1) João Rocha (1) João Sousa (1) Justiça Social (1) Juventude (1) Juventus (1) Labour (1) Lançamentos (1) Lavagem de de dinheiro (1) Lei Básica de Macau (1) Lei do Orçamento (1) Leitura (1) Liberalismo (1) Liga dos Campeões (1) Literatura (1) Lugares de Portugal (1) Macacos (1) Madeira (1) Manchester United (1) Manu Tuilagui (1) Marca (1) Margaret Thacher (1) Marinho e Pinto (1) Miguel Poiares Maduro (1) Miguel Sousa Tavares (1) Ministra da Justiça (1) Ministério da Justiça (1) Modernização (1) Mr.Speaker (1) Município (1) Máscara (1) Mónaco (1) NSA (1) Nações Unidas (1) Negócios (1) Nick Clegg (1) Nicolas Maduro (1) Nicolas Sarkozy (1) No papel de Primeiro-Ministro (1) Nobel da Litertura (1) Nobel da Paz (1) Novo cônsul-geral (1) Novos líderes (1) O (1) O "português" mais popular (1) OA (1) Obama (1) Ohar Cinema (1) Olegario Benquerença (1) Olhar Mundo (1) Olhar a palavra (1) Olympiacos (1) Opinião (1) Oscares 2011 (1) Pablo Aimar (1) Pacheco Pereira (1) Paixão (1) Paquistão (1) Para Sair..... (1) Passatempo Levanta-te Portugal (1) Paços de Ferreira (1) Pedro Proença (1) Pedro Santana Lopes (1) Personalidade (1) Personalidade do ano (1) Personalidade do ano 2008 - Olhar Direito (1) Personalidade do ano 2008 - Olhar Direito; Prémios Personalidade do Ano (1) Personalidade do ano 2013 (1) Pesar (1) Platini (1) Poder (1) Politburo (1) Politica; Espanha (1) Polícia (1) Populismo (1) Porta fechada (1) Pre-Macht of Volvo Ocean Race (1) Presidenciais Norte-americanas 2016 (1) Presidente (1) Previsões gasparianas (1) Primavera Árabe (1) Processo Casa Pia (1) Processo Civil (1) Psiquiatria (1) Publicidade (1) Pépa (1) Quem nos vem salvar? (1) Quem é Quem da Política (1) Questionário de Verão (1) Quiz Olhar Direito (1) Record (1) Regime (1) Religião (1) Repórter Olhar Direito (1) Restaurante Porto de Macau (1) Revista Time (1) Ricardo Quaresma (1) Rio de Janeiro (1) Rip Curl Pro Search 2011 (1) Roger Federer (1) Rui Machete (1) SWAPS (1) Schengen (1) Seminários e outras participações (1) Ser Humano (1) Serviço Público (1) Serviço de atendimento ao Cidadão (1) Sevilha (1) Sexo (1) Sistema eleitoral (1) Sofia Galvão (1) Solidariedade Institucional (1) Suiça (1) Surf (1) Século XXI (1) Taça da Liga (1) Taça de Portugal (1) Tecnoforma (1) Testes de Sinceridade (1) The Economist (1) Top + (1) Tour de France (1) Tragédia (1) Turquia (1) UGT (1) V Encontro Empresarial de Negócios em Língua Portuguesa (1) Valores e Princípios na Política (1) Variação dívida pública (1) Venezuela (1) Vigilância (1) Viktor Yanukovich (1) Vince Cable (1) Vital Moreira (1) Voto do Leitor (1) Vítor Pereira (1) Wu Bangguo (1) Yasser Arafat (1) a (1) abusos sexuais (1) arma (1) audiências (1) blogoesfera (1) blogue do ano 2012 (1) boatos (1) campanha (1) cartas de amor (1) censura (1) citações (1) citius (1) civismo (1) claques (1) clássico (1) comissão europeia (1) conclave (1) concurso fashionistas do brasil (1) concursos (1) confissão (1) constituiçã (1) corporativismo (1) crime (1) crise política (1) cultura (1) cunhas (1) declarações (1) derby (1) dilema (1) direitos fundamentais (1) discurso de Natal (1) e (1) espe (1) especial 5º Aniversário (1) expectativas (1) feriados (1) fiscalização (1) freguesia (1) futuro (1) gestão (1) grândola vila morena (1) guerra (1) hierarquia (1) i (1) iluminação (1) in Diário de Leiria (1) in Jornal de Leiria (1) investimento (1) legalidade (1) legitimidade (1) marketing (1) maçonaria (1) meteorito (1) miss olhar direito (1) motivação (1) moção de censura (1) musica (1) nuclear (1) oásis (1) palhaço (1) pancadaria (1) patriotismo (1) pedofilia (1) places of the world (1) policia (1) política popular (1) processos judiciais (1) professores (1) programa cautelar (1) reunião (1) revolta (1) romance (1) saúde (1) subsídio (1) subvenções (1) traição (1) transparência política (1) transportes (1) twitter (1) uais (1) vi (1) Álvaro Santos Pereira (1) Ídolos (1) Índia (1) ética (1)