segunda-feira, 30 de maio de 2016

A instabilidade de Marcelo

A constante repetição da palavra estabilidade por parte do Presidente da República levanta dúvidas sobre o futuro político após as autárquicas. Antes das eleições não faz sentido haver ruptura na maioria parlamentar porque também é necessário cumprir com o prometido. Além disso, Marcelo não vai deixar Costa provocar um golpe palaciano se os números começarem a baixar. 

O problema será depois, tendo em conta os resultados. Os dois principais partidos disseram que uma vitória será ter a liderança da ANMP e da ANAFRE, pelo que, só um vai triunfar. No entanto, pode acontecer que um conquista a ANMP e o outro a ANAFRE. Nessa situação, os dois podem reclamara vitória.

A partir desse momento haverá um desejo de mudança por parte de Marcelo, mas não só no governo. Nessa altura Passos Coelho vai novamente ter eleições internas, pelo que, talvez o Chefe de Estado queira influenciar as directas do PSD em 2018. Não tenho dúvidas que o Presidente quer influenciar a política a nível do governo e partidos. Ora, os sinais de estabilidade significa que vamos ter instabilidade por culpa de Marcelo. As vozes críticas sobre os constantes recados indirectos não deixa dúvidas sobre as pretensões. Tenho a certeza que Marcelo quer ser mais do que Presidente porque pretende governar o país.

A imprevisibilidade do candidato deu lugar à instabilidade em pouco mais de três meses no Palácio de Belém.


domingo, 29 de maio de 2016

Olhar a Semana - Receber os turistas com obras

As recentes obras iniciadas pelo presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, são uma forma de eleitoralismo que prejudica a vinda de mais turistas. Não se percebe porque razão o autarca decidiu fazer de Lisboa um estaleiro. Não fazia mal fazer obras em determinados pontos da cidade de forma faseada, mas mudar o figurino da cidade a um das eleições levanta sempre a suspeita. 

Os milhares de turistas que chegam à capital não devem gostar de ver zonas como a zona ribeirinha ao pé do Cais do Sodré em obras, ao mesmo tempo que têm de aturar o mesmo filme em outras zonas da cidade. Seria mais inteligente fazer uma coisa de cada vez, mas Medina é exactamente como António Costa. Tem medo de perder eleições. O mais curioso é verificar o percurso do actual autarca. Medina também é comentador televisivo enquanto gere uma Câmara Municipal. As coincidências com o actual líder socialista são muitas. É impressionante como alguém consegue ser Presidente da Câmara e comentador da actualidade política. Não há dúvida que Costa actua sempre em primeiro lugar pelos interesses partidários ao colocar Medina como delfim. No entanto, o país verga-se à tomada de poder de um dos políticos mais fracos que Portugal conheceu desde a implantação da República. 

Após as eleições de 2017 não tenho dúvidas que iremos começar a ouvir notícias sobre uma eventual sucessão à liderança do PS por parte de Medina. Nessa altura Costa não vai gostar...

sábado, 28 de maio de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Donald Trump - O empresário alcançou a nomeação oficial para ser o candidato do Partido Republicano nas eleições gerais em Novembro. No futebol costuma-se dizer que uma equipa ganha "contra tudo e todos". O mesmo se pode aplicar à forma como Trump conquistou a nomeação. Uma grande caminhada de uma pessoa que só construiu sucesso no ramo empresarial e com poucas ideias políticas.

No Meio

União Europeia - As Instituições Europeias pretendem dar um impulso importante no desenvolvimento da tecnologia com a criação de plataformas online europeias. Uma forma de fazer concorrência aos adversários norte-americanos que conquistaram os utilizadores europeus. A União Europeia precisa de apostar noutras áreas que não as habituais.

Em Baixo

António Costa - Um primeiro-ministro mal preparado, que não capta a atenção da audiência nunca é levado a sério. O chefe do governo tem dificuldades em ser ouvido na Assembleia da República, não sabe responder a todas as questões, além de se enganar nos tratamentos formais. Costa não teve tempo de aprender porque quis ser o primeiro à força. 

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Ganhou Trump

A nomeação oficial de Trump só surpreende os que não acompanharam as primárias. Ao longo do percurso, o empresário ganhou popularidade apesar das propostas polémicas. No entanto, Trump era de longe o melhor candidato republicano, não tendo dificuldades perante o homem do Tea-Party nem de três candidatos apoiados pelo establishment. As adversidades ao longo do caminho também foram muitas, sobretudo por parte do actual presidente norte-americano que desconsiderou o concorrente. Obama engoliu em seco e agora tem de o respeitar. Também por esta razão o Chefe de Estado irá anunciar publicamente o apoio a Clinton o mais rapidamente possível. 

As primárias foram fáceis, mas a eleição geral vai ser bem mais complicada porque Trump vai ter que deixar cair algumas propostas. Isso acontece sempre em política, embora nos Estados Unidos as mudanças de posições não são encaradas da mesma forma que nos países europeus. Os que acreditam nas medidas não se vão sentir representados e podem não votar, não sendo plausível que optem por colocar a cruz em Hillary Clinton. 

A escolha de Trump passa por ceder nalguns pontos para ter o apoio do Partido Republicano. Contudo, as declarações de algumas figuras importantes são sinal de que nem todo o aparelho irá estar ao seu lado. Nesta equação Trump mantém a mesma linha de pensamento. 

Neste momento, importa destacar a vitória de alguém que começou a campanha praticamente do zero. 


quinta-feira, 26 de maio de 2016

Governo não sabe lidar com a malta que não quer trabalhar

O governo não tem conseguido evitar a fúria de alguns sectores da Administração Pública que não foram beneficiados com a mudança de políticas. Os sindicatos não perdoam a falta de promessas, mesmo com o PCP a segurar António Costa.

A insatisfação acontece em vários sectores, menos na educação onde Mário Nogueira e Tiago Brandão Rodrigues levaram à demissão de um secretário de Estado. Nos restantes, com a CGTP à cabeça o executivo não encontra soluções para as reivindicações. O caso dos estivadores é um sinal de como não existe capacidade governamental para resolver o problema. Costa não estava à espera de contestação porque tem o PCP e a CGTP a seu lado, mas também devido à forma como tem de contornar as imposições de Bruxelas. Neste momento, quem sofre com os cortes são as bolsas para a investigação e os colégios privados. É sempre preciso ir buscar dinheiro a algum lado, embora de forma diferente do que fizeram Passos e Portas. 

Por aqui se vê que estamos perante um governo fraco com ministros que não sabem lidar com o poder dos sindicatos. Como Costa não abdica dos acordos parlamentares, os governantes com menos paciência para aturar as forças sindicais terão vida curta neste executivo, o que causa problemas para o primeiro-ministro. Por causa disto, Costa está entre a espada e a parede. 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Referendo histórico

O Reino Unido prepara-se para um referendo histórico no dia 23 de Junho. O dito "Brexit" vai mudar o país no plano interno e externo. Nada será com dantes, sobretudo ao nível das relações com os restantes países europeus. Após a consulta no Reino Unido haverá outros países que irão tomar a mesma decisão de colocar sob escrutínio a manutenção na União Europeia, até chegar o dia em que o clube europeu irá perder um membro. Não será isso que vai desequilibrar a união, mas o problema tem a ver com a reacção.

O Reino Unido, através da habilidade política de David Cameron, conseguiu excelentes condições para o país, em termos de soberania. No plano económico, os ingleses continuam fora do Euro e sem terem que ajudar outros que estejam em situação de bancarrota. Em troca disso, o Reino Unido continua a participar nas grandes questões europeias. 

O eurocepticismo britânico nunca vai acabar como acontece noutros países do norte da Europa. No entanto, o desenvolvimento do país é bem diferente do resto do continente, tirando algumas potências como a Alemanha. O problema dos britânicos tem a ver com a falta de poder devido à influência da Alemanha, embora a maior parte dos políticos, Cameron incluído, trabalha mais para a população do que a pensar no bem comum em termos europeus. O que distinguiu os líderes britânicos dos restantes foi terem colocado em primeiro lugar o Reino Unido e não a Europa. Por exemplo, os alemães e franceses têm mais sentido colectivo. 

Nos próximos dias vamos assistir a um confronto entre os que defendem a manutenção da soberania inglesa contra os que pretendem mais poder para o Reino Unido mesmo integrado na União Europeia. Ou seja, o que está em discussão não é exigir mais influência nas instituições europeias ou integrar a dupla França-Alemanha. O que estará em cima da mesa, dos dois lados, são a protecção dos interesses britânicos dentro ou fora da União Europeia. Por estas razões, a campanha será interessante porque as questões europeias não vão ser o foco principal dos apoiantes do Brexit e do Bremain, o que demonstra o nível de eurocepticismo que perdura em Terras de Sua Majestade.  

terça-feira, 24 de maio de 2016

Trump e Clinton rompem com a missão de Obama

A política externa de Obama tem acentuado no diálogo e diplomacia. Não podia ser de outra maneira, tendo em conta a forma como George W.Bush encarou os inimigos. No entanto, o actual presidente não tem perdoado algumas acções dos regimes russos e sírio. 

Os melhores resultados de Barack Obama na política externa foram em Cuba, no acordo nuclear iraniano e agora na recente visita ao Vietname. A aproximação à Ásia em detrimento do reforço das relações com a Europa é mais um aspecto do legado que termina no final do ano. 

A mudança de inquilino na Casa Branca também terá repercussões nas prioridades a nível de política externa. Ora, não acredito que Trump e Hillary sejam mansinhos a lidar com os inimigos clássicos dos Estados Unidos. O problema é que tanto um como o outro terão de lidar com a ameaça norte-coreana que nasceu nos últimos anos. A personalidade de Clinton não vai permitir ao regime cubano continuar a fingir que fazem reformas políticas e os iranianos estarão sob alerta máximo. Por seu lado, Trump vai fazer uma caça ao Estado Islâmico até o grupo estar derrotado, mas sem incomodar Bashar al-Assad. Se o empresário for eleito a Europa pode esquecer que tem um aliado nos próximos quatro anos. Contudo, quem tem de se preocupar mais são os vizinhos mexicanos e as empresas estrangeiras. 

A exigência e a dureza nas palavras são as principais características da política externa norte-americana que entra em vigor no próximo ano. O problema será manter a unidade nacional caso as divisões continuem a ser muitas como acontece nos últimos anos com Obama. Apesar das dificuldades, o Chefe de Estado conseguiu construir pontes importantes que vão permitir aos Estados Unidos entrar em sociedades hostis como a cubana e a iraniana. 
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