sábado, 5 de setembro de 2015

Figuras da semana

Por Cima

José Sócrates - A alteração da medida de coacção de José Sócratés em plena campanha eleitoral constitui um momento positivo para o antigo primeiro-ministro, que escolheu o momento certo para atrair todas as atenções. Não só mediáticas, mas também políticas. A primeira entrevista de Sócrates deverá ocorrer depois do debate entre Passos Coelho e António Costa. Tudo corre bem a Sócrates. Sai da prisão preventiva quando quer e num momenro em que a sua mensagem pode ser prejudicial para o seu partido. A partir de agora vai ser uma romaria ao número 33 da Rua Abade em Lisboa, com especial atenção se António Costa vai visitar o seu camarada. Isto está tudo a correr ao ex-primeiro-ministro, que volta o principal protagonista do país.

No Meio

David Cameron -  O primeiro-ministro deu o braço a torcer e vai permitir a entrada de mais refugiados no Reino Unido. Numa visita a Portugal o chefe de governo britânico reconsiderou algumas posições que tem tido nos últimos tempos. Podemos não concordar com o que se está a passar, mas não se pode deixar de ajudar. Cabe aos responsáveis encontrar respostas humanitárias e políticas para resolver o problema. 

Em Baixo

Viktor Órban - O responsável húngaro teve atitudes e declarações infelizes sobre a questão dos refugiados. Não abrir as portas do seu país é admissível, mas não devia tentar impedir as pessoas deslocarem-se para outros países, que mostraram disponibilidade para os acolher. Os países de Leste estão a ficar um pouco afastados das políticas de solidariedade que levou à construção da União Europeia. 

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Começou mais uma campanha

A libertação de José Sócrates ocorre numa altura em que se inicia a campanha eleitoral. A alteração de medida de coacção já se previa para Setembro, embora há seis meses o anterior primeiro-ministro tivesse recusado esta medida. Neste momento não tenho dúvidas que há interesse por parte da justiça e de José Sócrates na sua libertação, mas mais o segundo do que as autoridades judiciais. Sócrates não fica só em prisão domiciliária como não tem que andar de pulseira electrónica, o que lhe permite dar entrevistas. Tenho a certeza que vai superar as entrevistas aos candidatos a primeiro-ministro. 

A saída de Sócrates de Évora é prejudicial para António Costa e aqueles que no Partido Socialista não se insurgiram publicamente contra a detenção do ex-chefe de governo. A partir de agora vamos assistir a mais uma campanha diferente daquela que tem lugar para a Assembleia da República. 


António Guterres a caminho de Belém ou Nova Iorque


O actual Comissário dos Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), António Guterres, confirmou que vai deixar o cargo no final do ano. A decisão aumenta as especulações em torno de uma eventual candidatura a Belém, mesmo que Guterres tenha recusado participar na corrida presidencial. Todos sabemos que em política, o que é verdade hoje será mentira amanhã. A política funciona desta forma. 

A presidência da república não é a única hipótese para Guterres, que também ambiciona ser secretário-geral das Nações Unidas. O único problema para concorrer a Belém é o tempo, já que o actual mandato na organização internacional só termina no final do ano. As eleições presidenciais são em Janeiro e as candidatura devem ser todas anunciadas logo após as legislativas. Mesmo sendo uma figura consensual no país, precisava de mais tempo para preparar o caminho até porque Marcelo Rebelo de Sousa é um adversário duro de roer. 

O percurso político de António Guterres não fica por aqui. A próxima paragem será Nova Iorque para depois regressar definitivamente a Portugal.

Tipicamente português

A polémica em torno da vinda de refugiados para Portugal provocou comentários pouco felizes dos nossos responsáveis. António Costa disse que os emigrantes poderiam trabalhar nas nossas florestas, mas há quem entende que eles também serviam para ajudar os bombeiros. 

As declarações proferidas são infelizes porque reduzem os refugiados a um bando de pessoas que não tem capacidade para mais nada do que fazer trabalhos de menor dimensão. No fundo, é o que se passa em alguns sectores da nossa sociedade. Há sempre alguém que gosta de menorizar o trabalho dos outros por estarem hierarquicamente num lugar inferior. 

A mentalidade portuguesa é assim. Tenho a certeza que muitos refugiados que vão chegar a Portugal e à Europa tiveram uma profissão na terra onde a guerra lhes caiu em cima. No entanto, no nosso país podem não ter as oportunidades que procuram porque os nossos responsáveis se calhar não vão dar a oportunidade que merecem. A questão central é a forma como dirigentes de topo estão a tratar as pessoas que ainda nem sequer chegaram. O destino dos refugiados não pode ser objecto de apreciação pessoal para fins eleitorais. Venham ou não trabalhar na floresta isso é uma matéria que não tem de ser discutido na praça pública, ainda por cima quando estamos em campanha. Repito que a atitude demonstrada nos últimos dias é uma prática constante no dia-a-dia das empresas. 

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Republicanos calaram Donald Trump


O candidato republicano mais polémico assinou um documento no qual se compromete a não entrar na corrida eleitoral por outra força partidária. Os termos do acordo também obrigam o milionário a apoiar o republicano que for nomeado para concorrer com o vencedor nas primárias democratas à Casa Branca. 

O ruído causado por Donald Trump, mas também por alguns membros importantes do Partido Republicano parece ter terminado. Neste momento não há razões para Reince Priebus ou qualquer outro responsável da máquina ficar contra o candidato, que tem de ter o mesmo comportamento perante os restantes colegas. Na minha opinião estamos perante uma forma de calar Donald Trump, embora todos os candidatos tiveram que fazer o juramento. No entanto, o percurso do milionário tem causado desconforto e inquietação no seio da estrutura, o que tem prejudicado as ambições de alguns, que pretendem vencer Hillary Clinton. 

Não se pode atirar todas as culpas para Donald Trump, mas a verdade é que as declarações proferidas são más para a imagem do Partido Republicano. 

Perdoar o aborto não retira culpa

O Papa Francisco I surpreendeu mais uma vez ao perdoar todas as mulheres que cometem aborto. Ora, as orientações do líder religioso não têm que ser seguidas por todos os padres. Certamente que haverá padres que não vão obedecer aos pedidos. A questão do aborto ainda é delicada em todo o mundo, e não pode ser resolvida com um mero perdão por parte da Igreja Católica. Na minha opinião, Francisco I tem-se tornado populista e humanista nas decisões que toma. Não estamos perante um líder político ou religioso, mas um homem com coração que sabe ver além das próprias responsabilidades. 

As mulheres que abortam não devem ser punidas criminalmente, mas também não podem ser perdoadas facilmente. O que está em causa é uma vida humana, e mesmo que ela não tenha sido desejada ou não haja condições para a receber, o aborto deve ser sempre o último recurso. 

Nesta questão a intervenção da Igreja é irrelevante, já que a alma de quem aborta não deixa de ficar arrependida porque o padre perdoou o seu acto. É um sentimento que está sempre presente na vida da pessoa. Por este motivo acho que Francisco I se está a intrometer num assunto que não exclusivamente respeito à Igreja. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Moeda única no centro do debate


A crise na Grécia deve servir de exemplo para os nossos partidos abordarem o tema da moeda única durante a campanha eleitoral. Não se trata de fazer um referendo sobre se Portugal deve sair ou não, neste caso todos os partidos apontam para a manutenção, mas para saber como o nosso país pode ter uma economia forte no seio da zona euro, sem recorrer unicamente ao debate entre a necessidade de austeridade ou reestruturar a dívida. Os partidos de esquerda e da direita precisam de ir mais além. 

O euro é uma moeda forte quando as economias estão organizadas. Isto só é possível com organização das contas públicas e investimento nas empresas. O Estado não pode continuar a ser um centro de emprego. Neste aspecto penso que o Partido Socialista deveria ter outra visão e não se cingir a um discurso gasto. Como se viu na campanha eleitoral no Reino Unido realizada por Ed Miliband.  

A economia é um tema importantes nestas eleições, já que o desemprego desce e o crescimento económico tem aumentado. O modelo que está a ser implementado pelo executivo, apostando nas exportações, deve ter continuidade, mesmo que o Partido Socialista vença as eleições. No entanto, António Costa já deixou algumas promessas de voltar a investir no sector público, bem como gastar dinheiro na abertura de serviços dependentes do Estado para servir as populações. 

O funcionamento da democracia


O governo da Nova Zelândia escolheu quatro modelos para a futura bandeira do país que serão submetidos a referendo até final do ano. A população vai votar através de um boletim que vai chegar a casa por correio. 

Na minha opinião a iniciativa governamental aproxima os cidadãos dos eleitos. Neste caso, estamos perante uma forma da democracia funcionar. O instituto do referendo não é perfeito, mas é o único que permite às pessoas participarem nas grandes questões nacionais. Penso que os países deveriam adoptar o mesmo comportamento que o executivo de Wellington. Na Europa não existe a prática de recorrer ao referendo. As questões europeias, como se viu na Grécia, necessitam maior escrutínio nacional. No entanto, os governos preferem viabilizar as propostas através do parlamento. 

No nosso país as autarquias também deveriam ter mais poder para referendar algumas questões, como a introdução de impostos, viabilização de orçamentos, agendamento de festividades no município. 

A ideia do governo neo-zelandês é excelente já que a actual bandeira é muito parecida com a da vizinha Austrália. Penso que este passo é uma forma de cortar definitivamente com Sua Majestade, a Rainha de Inglaterra. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Não ao PS, governo, mas sim ao euro

O primeiro debate televisivo com Catarina Martins e Jerónimo de Sousa foi bastante desinteressante. Os dois líderes partidários não animaram o debate porque a linha ideológica que representam são muito próximas. PCP e BE têm alguma dificuldade em se distanciar ideologicamente. Este factor é um problema para os partidos de esquerda que concorrem, pela primeira vez, às legislativas. 

Os dois mostraram pouca abertura para negociar com António Costa uma possível solução governativa de esquerda. Não confiam no Partido Socialista para mudar a política de austeridade. Ou seja, não pretendem um executivo submisso a Bruxelas e a Angela Merkel. A chanceler é a principal inimiga política de Catarina Martins e Jerónimo de Sousa. 

Curiosamente nenhum defende a saída de Portugal da zona euro. 

O confronto foi pouco vivo e nenhum dos dois conseguirá aumentar os níveis de popularidade nestas eleições. O Bloco de Esquerda corre o risco de ficar com um ou dois deputados. 

Ninguém quer o Novo Banco

O governo e o Banco de Portugal estão a ter dificuldades em vender o Novo Banco. Aquilo que parecia ser uma compra apetecível tornou-se num encargo para o Estado. O Novo Banco não é o Banco Espírito Santo, mas tem os mesmos problemas e defeitos. Ou seja, os produtos tóxicos não ficaram todos na instituição fundada por Ricardo Salgado. 

Tal como aconteceu com a privatização da TAP, parece que as companhias portuguesas não têm recursos para atrair o investimento estrangeiro. Tanto a companhia aérea como o banco deixaram uma imagem negativa devido à gestão ruinosa das respectivas administrações. Não é fácil o governo vender a ideia que está tudo bem com as empresas. Por alguma razão as duas chegaram a um estado calamitoso. A TAP ainda se safou, mas podia e devia ter melhores compradores. O Novo Banco não vai conseguir o mesmo êxito, ainda por cima numa altura em que Pedro Passos Coelho vai estar empenhado na campanha eleitoral e delegando em Carlos Costa a responsabilidade do falhanço do negócio. Isto é, se nada for conseguido ou mal executado a culpa recai sempre no governador. 

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Entrevista a João Garcia

O alpinista João Garcia concedeu uma entrevista ao Olhar Direito em que aborda o passado, mas também o futuro. Descreve a prática do montanhismo como um prazer e um risco. Nos próximos tempos vai ajudar os outros a subir e descer montanhas.

1-     Encara a sua profissão como um risco ou um prazer?

Acho que ambas as coisas. É um prazer onde existem alguns riscos calculados.

2-     A preparação para encarar os desafios passa por questões mentais ou técnicas?

Ambas. “Corpo são, mente sã.” Treinamos o corpo, as técnicas e o resultado é ganhar autoconfiança.

3-     Os seus livros são uma forma de motivar as pessoas para o alpinismo?

Não necessariamente. São uma partilha e uma ajuda para os leitores se inspirarem e quem sabe, “vencerem os seus Everestes”…sejam estes montanhas ou apenas dificuldades da vida.

4-     O que sentiu quando chegou ao topo do Evereste?

Muito cansaço. O cume de uma montanha é a metade da prova, um mero ponto de retorno! A nossa meta é quando regressamos em segurança ao acampamento base.

5-     Qual é o seu próximo objectivo?

Neste momento não tenho planos de continuar a subir cumes de mais de 8000m. Os meus objectivos actualmente passam por ajudar outras pessoas a subirem e descerem em segurança e tornar-me cada vez melhor guia de montanha.

6-     Acha que os portugueses são pouco aventureiros e correm poucos riscos no seu dia-a-dia?

Acho que somos como os outros povos. A sociedade actual procura cada mais segurança e liberdade. Só que para termos mais de uma coisa, temos de abdicar da outra e vice versa.
Os alpinistas a meu ver, conseguem a melhor gestão entre liberdade e segurança. Só tenho pena sermos tão poucos…

Legislativas 2015

O mês de Setembro vai ficar marcado pela campanha eleitoral para as próximas legislativas que se realizam no dia 4 de Outubro. O resultado final será incerto porque Partido Socialista e a Coligação "Portugal à Frente" estão quase empatados nas sondagens e nenhum consegue a maioria absoluta para governar tranquilamente nos próximos 4 anos. A escolha de nomear o governo compete ao Presidente da República, mas se nenhuma força conseguir uma maioria, deverá haver novas eleições depois de ser escolhido o novo Chefe de Estado em Janeiro de 2016. 

Perante este cenário é possível que haja instabilidade política. No entanto, podemos ter o fenómeno que ocorreu nas eleições legislativas no Reino Unido onde as sondagens também davam empate técnico e os conservadores acabaram por oferecer uma maioria absoluta a David Cameron. Ou seja, os portugueses também poderão escolher a continuidade em vez da mudança quando sabem que não vai haver acordos à esquerda.

Como tem sido habitual o Olhar Direito vai acompanhar a campanha. Vamos fazer uma tertúlia com candidatos dos partidos, convidar pessoas para escrever sobre as eleições.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Santana Lopes deixou de ser guerreiro

O antigo primeiro-ministro, Pedro Santana Lopes, explicou que não era candidato à presidência da república porque considera que não tem condições de vencer. Pensava que Santana Lopes era um menino guerreiro e não fugia a nenhuma luta política. Pelos vistos, o antigo autarca foi à televisão dar a parte fraca. Não se anuncia uma não candidatura perante as câmaras de televisão. Ou será que está a ludibriar as pessoas, bem como os restantes possíveis candidatos sociais-democratas. 

A divulgação na SIC Notícias foi a primeira relacionada com uma não hipótese de avançar para Belém, mas como é hábito, Santana Lopes tem tempo de antena para qualquer decisão. No entanto, se daqui a dois meses houver condições para vencer? Tenho a certeza que o único factor de mudança nas ideias é uma derrota da coligação nas legislativas que coloque em causa a liderança de Passos Coelho. O PS pode vencer, embora não seja suficiente para fazer cair o Presidente do PSD. 

Na minha opinião Santana Lopes faz mal em recuar se o argumento que invoca é o medo de perder as eleições presidenciais. Tenho a convicção que o próximo Presidente da República vai ser da direita, independentemente de quem vencer as legislativas. Nas próximas presidenciais há bons candidatos de direita e maus do lado da esquerda. A atitude demonstrada na televisão não se compadece com a carreira política do ex-chefe de governo. Santana Lopes habituou as pessoas a ir à luta e agora recua por motivos incompreensíveis. Lembro-me que, em 2010, Lopes candidatou-se à presidência do partido após a má experiência governativa entre 2004 e 2005. Mesmo quando foi "despedido" por Jorge Sampaio do governo fez questão de tentar merecer nova confiança dos portugueses. 

Como explicou no programa que tem uma visão única no país porque foge Pedro Santana Lopes ao combate político mais importante da sua vida?


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Joe Biden muda voto de Obama


A campanha democrata para a presidência norte-americana ganhou um novo interesse com a intenção de Joe Biden concorrer à Casa Branca. O vice-presidente de Barack Obama tem feito alguns movimentos nesse sentido. No entanto, Barack Obama sente que o avanço significa uma divisão no partido, bem como no resto do mandato da actual administração. 

O único com capacidade para derrotar Hillary Clinton é Biden, sendo que a primeira-dama agradece um adversário de peso nas primárias, para aferir das suas capacidades quando for a altura do frente a frente com o candidato que vencer as primárias republicanas. Hillary não pode passar para a eleição geral sem ter um teste que lhe obrigue a lutar pela nomeação. 

Não sou daqueles que considera a ex-secretária de Estado norte-americana uma vencedora antecipada, embora não tenha concorrência interna. Clinton seria um corte com a actual administração Obama, enquanto que Biden representa a continuidade. Acho que Obama votaria em Joe Biden. 

No caso de Biden entrar na corrida penso que a escolha de Obama influenciará a escolha dos democratas e depois dos norte-americanos. Na minha opinião, o Presidente não vai esconder as suas opções políticas. Neste momento apoia Hillary Clinton, mas a entrada em cena do seu braço-direito muda tudo. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Marcelo é o único vencedor da direita

Os potenciais candidatos sociais-democratas às eleições presidenciais estão escolhidos. O próprio partido decidiu excluir Santana Lopes, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa da participação na Universidade de Verão deste ano. Não quer dizer que os três vão a jogo após as legislativas, já que os avanços e recuos dependem sempre da agenda da direcção, bem como dos restantes concorrentes. 

Neste momento Santana Lopes e Rui Rio esperam um apoio formal do PSD, mas isso só acontecerá em Outubro após o resultado das legislativas porque pode haver uma nova direcção. Não acredito que os dois ex-autarcas avancem sozinhos. Por seu lado, Marcelo Rebelo de Sousa vai a jogo já que conta com apoios de vários quadrantes da sociedade portuguesa. Podemos fazer uma comparação com António Sampaio da Nóvoa, mas o comentador tem mais força e competência para ser Presidente da República. 

A forma de avançar para uma candidatura não é irrelevante. Marcelo consegue caminhar por meios próprios e segue em frente com a sua vontade sem ter uma estrutura ao seu lado, que lhe garante apoios, comícios cheios e tempo de antena. Os outros dois estão ligados à máquina e sem ela não conseguem sobreviver politicamente.

Na minha opinião este motivo vai fazer a diferença porque as presidenciais são eleições cada vez mais pessoais. Nos últimos anos, as candidaturas de Cavaco Silva foram um exemplo disso, tem havido inúmeros candidatos que concorreram independentemente da vontade dos partidos. No PS também aconteceu com Manuel Alegre. Fernando Nobre também beneficiou por não estar ligado a nenhuma força. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A desagregação

O anúncio de eleições antecipadas na Grécia por Alexis Tsipras teve como efeito dividir o partido que conquistou o acto eleitoral em Janeiro. Alguns membros do Syriza saíram e vão constituir a Unidade Popular. Não se sabe qual é a ideologia, mas não deve andar muito longe dos valores defendidos por Tsipras e companhia. É apenas mais um partido que vai participar nas próximas eleições. Há medida que os governos falham as metas nasce uma nova força política na Grécia. A democracia chegou a um ponto semelhante ao que se verifica na corrida republicana para a Casa Branca. Ninguém sabe os valores que defendem, as propostas ou porque razão se candidatam. 

Na minha opinião estamos perante uma anarquia política, tanto na Grécia como nos Estados Unidos. A constituição de novos partidos é importante, mas que não tenham como propósito fazer face a vinganças políticas.

A divisão no Syriza começou a ser uma realidade a partir do momento em que Tsipras não respeitou a vontade do povo grego no referendo. A Unidade Popular pretende satisfazer a vontade da maioria da população, ou seja, sair da zona euro. Não percebo porque razão o ex-primeiro-ministro não deu um passo frente sabendo que não iria ter flexibilidade europeia. O Syriza revelou que não tinha estofo para defender os interesses dos gregos. Por este motivo a Unidade Popular vai tentar esmagar o Syriza nas próximas eleições. 

O Presidente grego deu posse ao principal partido da oposição. No entanto, tem de haver eleições antecipadas porque a própria Nova Democracia também não garante estabilidade governativa. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

O fim previsível de Alexis Tsipras

O governo grego vai convocar eleições antecipadas para o mês de Setembro. O Syriza durou apenas 8 meses no executivo porque não teve capacidade para evitar um novo plano de austeridade nos próximos anos. Não foi isso que provocou a queda de Alexis Tsipras. O referendo de Junho foi uma má jogada política no plano externo e interno. Na altura achei bem a sua realização, mas o resultado foi enganador porque Tsipras pensou que poderia exigir aos credores melhores condições já que tinha o apoio da população. O problema é que o povo virou-se contra o governo logo que soube das medidas do terceiro resgate e os países do euro não fizeram cedências.

O falhanço de Tsipras, e também de Varoufakis, aconteceu porque não encontrou uma alternativa para o crescimento. O combate ao défice também se faz ao implementar medidas de emprego e crescimento. A dupla do Syriza não fez nada disto, limitou-se a fazer finca pé aos parceiros europeus, em particular a Alemanha. Como se viu a esquerda radical não tinha nenhuma solução mágica. A expectativa da população era essa quando elegeu um partido de esquerda e castigou as forças tradicionais. Não acredito que as mesmas pessoas deixem passar incólume os problemas causados pelo governo do Syriza. A direita ou o PASOK também não vão obter maiorias que lhes permitam governar tranquilamente. Ou seja, as próximas eleições são uma boa oportunidade para outro tipo de partidos ganharem votos. 

A Grécia vai ser um caso perdido se continuar na zona euro. O melhor para o país será sair e continuar a sua vida com o dracma. Só dessa forma consegue ter estabilidade económica e política.

Mais um banho gelado

No ano passado o famoso "Ice Bucket Challenge" fazia furor em todo o mundo para ajudar os doentes com esclerose lateral amiotrófica. Em Portugal a organização responsável pela recolha de fundos criticou a falta de contribuição por parte dos portugueses. 


Um ano depois a campanha do balde gelado voltou a ter continuidade na comunicação social e redes sociais. Ainda bem que assim é porque a ideia foi bem conseguida e merece ser estendida ao longo do tempo, mas com outras iniciativas. Cabe aos organizadores pensar numa nova forma de conquistar o público que se esconde nas redes sociais e internet. É verdade que o desafio do banho gelado foi um sucesso. No entanto, é necessário que haja evolução no conteúdo para convencer as pessoas a contribuírem com mais dinheiro.  

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Apostar nas legislativas e presidenciais

Os dois partidos da direita tiveram uma entrada positiva no novo ano político que tem as eleições legislativas e presidenciais como pratos principais. Os resultados do primeiro acto eleitoral não vão ter influência no segundo. Ou seja, uma vitória do PS em Outubro não significa que Sampaio da Nóvoa ou Maria de Belém tenham a vitória assegurada. Na minha opinião os candidatos da direita, Marcelo Rebelo de Sousa ou Rui Rio, têm mais hipóteses de vencer as presidenciais do que os dois socialistas.

O PSD e CDS estão mais focados nas legislativas do que nas presidenciais porque também não há candidatos assumidos nesta área. Pelo contrário, nota-se que o Partido Socialista joga ao mesmo tempo em duas frentes. As legislativas e as presidenciais. Neste momento têm mais possibilidades de vencer as primeiras do que as segundas. Por esta razão o aparelho partidário, bem como os candidatos a Belém deviam apoiar mais o líder partidária em vez de pensar nos seus objectivos pessoais. 

Na minha opinião é um erro misturar as duas campanhas porque vai baralhar a vontade das próprias pessoas. Por causa deste factor Rui Rio não avançou. Se o PSD perder as legislativas deixa de sonhar com Belém para tentar chegar à liderança do partido. Caso o PS não tenha um bom resultado em Outubro, Maria de Belém não vai ter outra vontade política?

A entrada em cena de candidatos presidenciais em vésperas da pré-campanha perturba o bom funcionamento das propostas políticas apresentadas pelo Partido Socialista. Pelo menos ofuscam em termos mediáticos as iniciativas do programa eleitoral. 

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Presidenciais são problema para António Costa

A candidatura de Maria de Belém à presidência da república é uma realidade. Neste momento, o secretário-geral do Partido Socialista tem um problema para resolver. Quem apoiar?

A escolha só será feita após as eleições legislativas, mas todos sabemos que nenhum dos candidatos da área socialista vão respeitar os timings definidos por António Costa já que vai haver barulho sobre o tema em plena campanha eleitoral. A derrota no dia 4 de Outubro também é um motivo para complicar as estratégias de Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. Os dois deveriam fazer o mesmo que os potenciais concorrentes da direita. Ou seja, apresentarem-se a jogo após as eleições e não antes. Ao terem anunciado publicamente a sua intenção estão a dividir o partido porque pressionam António Costa. 

Tenho a certeza que o secretário-geral não gosta de estar nesta situação de esclarecer todos os dias que só vai anunciar publicamente apoios no fim das eleições. Mesmo que o discurso seja esse não deixa ninguém convencido porque os candidatos preferem pensar nos seus objectivos do que na conquista eleitoral. 

Neste momento, António Costa dispensava a situação criada pelos dois candidatos, uma vez que, a direita entra unida nestas eleições porque, nem Marcelo Rebelo de Sousa ou Rui Rio, vão colocar Passos Coelho entre a espada e a parede numa altura crucial. 

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