sábado, 6 de fevereiro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Ted Cruz - O republicano venceu o Caucus no Iowa, embora com uma curta vantagem sobre Donald Trump e Marco Rubio. No entanto, a vitória promete mudanças nas sondagens no New Hampshire. O senador do Texas tem sido a grande figura positiva da campanha eleitoral, pelo que, o resultado não é surpreendente. Cruz e Rubio são os únicos republicanos e mesmo comparando com os concorrentes democratas, com capacidade para evoluírem ao longo das primárias. Tenho a certeza que ainda não conhecemos todas as ideias do vencedor. 

No Meio

António Costa -  O Orçamento de Estado para 2016 deverá ser aprovado, mas, nos últimos anos nunca tivemos um documento que causasse problemas. Os avisos de Bruxelas são para ser levados a sério, mesmo que os partidos que apoiam o PS pretendam romper com a ditadura europeia. O problema do primeiro-ministro é ter que levar constantemente com as críticas de Bloco de Esquerda ou Partido Comunista Português. Neste momento, Costa ainda não conseguiu unir as forças que o ajudaram a chegar ao poder. 

Em Baixo

Donald Trump - A derrota no Iowa não é o único factor negativo da semana. O empresário acusou Ted Cruz de fraude eleitoral no caucus e pretende a repetição do escrutínio. Trump não se deveria focar apenas no vencedor porque esteve quase a perder o segundo lugar para Marco Rubio, o que seria humilhante. O mau perder tem tido efeitos negativos nas sondagens. As primárias do New Hampshire são decisivas, já que, lidera as sondagens. Em caso de derrota, a Carolina do Sul é a última oportunidade. 


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Às voltas com o Orçamento

A história em torno do Orçamento de Estado para 2016 fica na história como o primeiro erro do governo liderado por António Costa. Os partidos que apoiam os socialistas estão livres de qualquer responsabilidade em caso de falhanço. Pelo menos a nível político. 

As contas dos socialistas não batem certo e a Europe prevê 3,4% de défice. No entanto, o executivo acredita no milagre das rosas. 

Os episódios negativos têm sido uma constante ao longo do mês de Janeiro. Para evitar o chumbo de Cavaco Silva, António Costa retardou a apresentação do documento, mas vai levar nas orelhas de Marcelo Rebelo de Sousa. Será o primeiro grande embate entre o governo e o novo Chefe de Estado.

O tempo novo anunciado por António Costa é definitivamente um regresso ao passado de despesa socialista. O mais grave passa pela despreocupação por parte do novo primeiro-ministro, sendo que, o PCP e o BE colocaram o PS entre a espada e a parede relativamente à postura que Portugal tem de ter com Bruxelas. 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Eleição negativa de Trump

O caucus do Iowa foi uma derrota para Donald Trump porque esperava uma vitória para cimentar a candidatura à Casa Branca. O New Hamsphire é a segunda oportunidade para o candidato mostrar que tem força e popularidade junto dos norte-americanos. O empresário tem de vencer uma das primárias de Fevereiro para encarar a Super Terça-Feira com mais optimismo.  

A forma como tem feito a campanha não tem sido a mais inteligente porque só está a atacar o principal rival. A acusação de fraude eleitoral no Iowa por parte de Ted Cruz e respectiva repetição não pode ser levado a sério por uma pessoa que conseguiu na vida profissional construir um império. Ora, o milionário mostra uma faceta diferente nesta campanha eleitoral, preferindo optar pelos aspectos negativos. Nem Mitt Romney chegou a este ponto. 

A estratégia de Trump varia consoante o lugar que ocupa na classificação. Quando estiver em primeiro fala para o eleitorado, se descer para segundo ou terceiro lugar o alvo será Ted Cruz ou Marco Rubio. Ou seja, Donald Trump pretende passar ao ataque para mostrar que está por cima do rival mais próximo. 

O discurso do republicano tem sido sempre negativo, o que lhe provocou uma amarga derrota na primeira ronda. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

David Cameron com mais força dentro e fora do Reino Unido

O Reino Unido e a União Europeia chegaram a um princípio de acordo para a manutenção do país na organização. Apesar das novas condições e da vitória do primeiro-ministro, as dificuldades não acabaram, já que, ainda vai haver um referendo, o Conselho Europeu tem de dar luz verde e o eurocepticismo continua a ser uma realidade na ilha britânica. 

As negociações podem permitir ao Reino Unido ter mais peso no seio da comunidade europeia em termos económicos, embora seja difícil conquistar uma posição de superioridade política porque a Alemanha e a França têm o apoio da maior parte dos países, sobretudo escandinavos, bem como a Itália e a Espanha. Os esforços britânicos ainda são entendidos como uma vontade egoísta do que para permitir aos restantes países alcançarem a igualdade que reclamam. 

Neste momento, o primeiro-ministro David Cameron tem razões para sorrir porque consegue uma dupla vitória. Em termos internos e externos. A nível externo consegue o apoio da Comissão, Alemanha e Polónia. Internamente tem tudo para garantir uma vitória no referendo europeu e aumentar a importância no seio do Partido Conservador. A maioria absoluta não lhe cria problemas, mas controlar os eurocepticos do partido também representa um ganho político. Por fim, pode sair antes das eleições de 2020 ou nem sequer recandidatar-se. Vai sair sempre por cima, além de deixar a oposição sem argumentos, o que facilita o caminho do sucessor. Uma terceira vitória consecutiva dos conservadores nas legislativas será sempre "culpa" do chefe de governo.  

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Iowa cria expectativas altas para o New Hampshire

O caucus no Iowa foi bastante emocionante, já que, só no final da contagem dos votos se conheceram os vencedores republicanos e democratas. No caso dos segundos houve praticamente um empate técnico, mas Hillary Clinton teve mais votos e delegados do que Bernie Sanders. No entanto, não deixa de ser também uma vitória para o senador do Vermont, que tem vantagem nas sondagens do New Hampshire. 

Nos republicanos, Donald Trump não conseguiu atingir o objectivo. Ted Cruz venceu a eleição, mas com uma margem pequena relativamente ao segundo classificado. Marco Rubio obteve um excelente resultado, ficando apenas a um ponto percentual de Trump e a quatro do senador do Texas. A partir de hoje a corrida ganha um novo interesse porque são três galos para o mesmo poleiro nas duas próximas primárias. 

Todos os candidatos reclamaram vitória no tiro de partida para uma eleição que deverá ser bastante renhida nos próximos dois meses. Em caso de emoção no New Hampshire e Carolina do Sul vamos ter a Super Terça-Feira no dia 1 de Março mais interessante dos últimos anos. Tenho a certeza que até ao final do mês de Março nenhum candidato dos dois lados se vai destacar. 

Neste momento todos partem para o New Hampshire com sentimento de vitória, embora se tenha notado algum desapontamento em Donald Trump porque pretendia testar a popularidade a partir do Iowa.  

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

O maior espectáculo político do mundo

As eleições primárias norte-americanas começam hoje no Iowa. O caucus naquele Estado é o pontapé de saída para encontrar o substituto de Barack Obama na Casa Branca. Os republicanos apresentam-se com 12 candidatos, sendo que, no Verão passado foram 16. No entanto, alguns desistiram e é provável que mais venham a abandonar após a realização das três primárias marcadas para o mês de Fevereiro no Iowa, New Hampshire e Carolina do Sul. 

Nos democratas e republicanos há dois candidatos que se destacam dos restantes. À esquerda temos Bernie Sanders e Hillary Clinton, enquanto na direita os favoritos são Donald Trump e Ted Cruz com Marco Rubio bem posicionado na terceira posição. 

Os outros concorrentes republicanos podem vir a ser úteis no final das primárias, já que, os delegados conquistados serão úteis para qualquer um dos favoritos garantir a nomeação na Convenção republicana. 

A corrida democrata também será interessante de acompanhar, mas Hillary Clinton tem condições para conquistar os delegados necessários antes do Verão, sendo que, os resultados de Bernie Sanders em Fevereiro também ditam o seu futuro na campanha. O senador do Vermont tem vantagem nas sondagens no New Hampshire. 

As eleições acontecem num ano em que o Presidente Barack Obama está empenhado na luta contra o terrorismo, em derrubar Bashar Al-Assad do poder na Síria e procurar entendimentos com o Irão. 

domingo, 31 de janeiro de 2016

Olhar a Semana - Rouhani não quer olhar para nus nem vinho à mesa

A recente visita do líder iraniano, Hassan Rouhani, ao continente europeu, em particular a França e Itália foram marcados por dois momentos caricatos, que colocaram as relações diplomáticas em segundo plano. Em Itália, o primeiro-ministro, Matteo Renzi, mandou tapar as estátuas de nus para não perturbar a consciência do visitante. No entanto, o presidente francês, François Hollande, teve uma atitude diferente quando cancelou o almoço de Estado porque o iraniano não queria vinho à mesa. França e Itália resolveram adoptar comportamentos distintos perante as exigências do visitante. 

Os dois estiveram bem, já que, a aceitação deste tipo de medidas depende da vontade de quem recebe. O ditado diz que "em minha casa mando eu". Quem não esteve bem na fotografia foi o líder iraniano que colocou em causa o almoço oficial porque Paris não seguiu o mesmo caminho de Roma. O protocolo, mesmo o de Estado, não obriga a que se aceita as demandas de quem nos visita. 

Os episódios revelam a falta de hábito dos iranianos em respeitar as tradições dos outros. Percebo que Matteo Renzi tenha tido aquele gesto, mas também compreendo a decisão de François Hollande. Quem organiza o protocolo são os responsáveis do país visitado e não quem visita. 

Por causa destas pequenas questões os acordos negociados por Roma e Paris com Teerão ficaram para segundo plano. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Figuras da Semana

Por Cima

Marcelo Rebelo de Sousa- O candidato venceu as eleições presidenciais com 52%. O resultado é melhor do que Cavaco Silva em 2006. O comentador é o V Presidente da República desde o 25 de Abril, tendo a difícil tarefa de estabelecer pontos entre os partidos na Assembleia da República, que, como se viu no Orçamento não se vão entender facilmente até às próximas legislativas. Todos sabemos que a legislatura não vai durar quatro anos, mas o Chefe de Estado tem de utilizar a influência para evitar uma crise política. A actuação do Presidente vai ser mais escrutinada do que os partidos com assento parlamentar.


No Meio

Abstenção -  O factor negativo das eleições presidenciais foi o resultado da abstenção. Mais de metade dos eleitores inscritos não votaram. A culpa pode ser encontrada nas pessoas que não se interessam ou na fraca qualidade dos candidatos. No entanto, nem a vitória de Marcelo foi comemorada na rua, como aconteceu com Cavaco Silva e é uma situação regular noutros países. O combate contra o desinteresse político tem de ser uma prioridade do novo Chefe de Estado.

Em Baixo

António Costa -  O primeiro-ministro teve duas derrotas nesta semana.  A primeira aconteceu nas presidenciais.Os candidatos presidenciais recomendados pelo secretário-geral socialista foram derrotados. Sampaio da Nóvoa não alcançou a segunda volta, enquanto Maria de Belém obteve 4%, ficando atrás de Marisa Matias. A opção de não apoiar oficialmente nenhum candidato acabou por beneficiar a candidata do Bloco de Esquerda. A segunda derrota para Costa está relacionado com o Orçamento. As entidades nacionais e internacionais não gostaram do draft elaborado por Mário Centeno, mas o primeiro-ministro não se importou. A gaffe da semana aconteceu no Parlamento quando Costa chamou duas vezes Pedro Passos Coelho de primeiro-ministro. Fugiu a boca para a verdade. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

A primeira greve contra António Costa

O actual governo enfrenta a primeira greve relevante. O sindicato dos funcionários da Administração Pública protestam contra a não reposição imediata das 35 horas de trabalho no sector. Ora, o executivo liderado por Costa só promete a alteração da lei no próximo Verão. 

Os sinais de descontentamento na rua começam a surgir na mesma altura em que um dos parceiros dos socialistas na Assembleia da República fazem críticas ao primeiro-ministro. O PCP entende que o mau resultado da esquerda nas eleições presidenciais deve-se a Costa. Nada mais do que as opções tomadas pelo secretário-geral socialista em apoiar Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. Todos perderam, menos Marisa Matias. No entanto, o Bloco de Esquerda concorreu a Belém com uma agenda própria. 

O início do ano não está a ser fácil para o executivo socialista por causa dos comunistas. Jerónimo de Sousa tem dado alguns sinais contra as primeiras medidas, nomeadamente a nível orçamental, o que revela preocupação para o presente e futuro. Todos sabemos que não é da direita que surgirão os problemas, mas da esquerda, em particular pelo PCP. Os comunistas quando quiserem rasgam o acordo, não só por motivos ideológicos, mas também devido a questões estratégicas. A vitória de Marisa Matias sobre Edgar Silva não ajuda à consolidação do acordo. 

A greve da função pública é a primeira resposta à falta de cumprimentos dos acordos por parte do Partido Socialista, ou a exigência dos comunistas em quererem ir além do prometido. Na minha opinião estamos perante uma exigência do partido de Jerónimo de Sousa. 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Sinais positivos de Assunção Cristas

Os primeiros sinais de Assunção Cristas são positivos. A tentativa de abrir o partido a mais pessoas parece ser a prioridade. O caminho não será fácil, sobretudo se persistir nas ideias da antiga direcção, mas tem tudo para resultar porque existe bastante vontade em participar e contribuir para o partido ser maior. 

No entanto, a candidata tem de ser firme nas horas mais complicadas, em particular naquelas em que se poderá sentir sozinha por divergir de algumas ideias dos mais próximos. A escolha da equipa também será importante, embora no parlamento estejam os principais aliados de Paulo Portas. A simples saída do antigo líder não resolve o problema das comparações. Cristas não deveria ter procurado apoio junto da estrutura para avançar.Devia tê-lo feito sozinha. 

Assunção Cristas terá de lidar com o Partido Socialista no governo, o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português a tentarem ficar à frente do CDS e o Partido Social Democrata que vai querer caminhar sozinho para apanhar os votos ao centro deixados pelo PS devido às posições ideológicas de António Costa. Ora, numa eventual zanga da gerigonça, quem vai recolher os frutos da desastrosa governação socialista será o PSD. Neste capítulo, a provável nova liderança tem de encontrar um espaço ideológico para garantir a fidelidade do eleitorado. 

A legitimidade de Assunção Cristas no CDS seria reforçada se aparecer um novo concorrente à liderança. Na minha opinião é necessário debate de ideias para definir um rumo após o próximo congresso e evitar qualquer tentativa de desestabilização. 
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