quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Regresso ao proteccionismo na Europa

O fim das negociações em torno do TTIP entre a Europa e os Estados Unidos significa uma mudança do ponto de vista comercial para o leste europeu. Os grandes países como a Alemanha e França já deixaram de se submeter aos interesses norte-americanos, ainda por cima, havendo a possibilidade de Donald Trump chegar à Casa Branca.

A mudança de inquilino em Washington não é a única razão para o falhanço das negociações. A vitória do Brexit vai tornar os países mais proteccionistas, com medo de efectuar trocas comerciais e mesmo estabelecer relações bilaterais. A nuvem de incerteza que paira sobre a Europa devido aos problemas financeiros e à segurança alteraram o comportamento dos principais líderes. Ninguém avança sabendo que os riscos são enormes.

Apesar de tudo, a maior parte dos líderes decide continuar a governar porque as alternativas são populistas e podem criar divisões. Ora, neste momento, algumas medidas já geram problemas na sociedade francesa. 

A tendência é para a Alemanha e França se unirem, mas também fecharem a Europa a qualquer risco. Os Estados Unidos vai ter uma orientação diferente nos próximos anos que não privilegia as relações com a Europa, seja Clinton ou Trump o próximo presidente norte-americano. O Reino Unido voltará a ter peso político internacional, o que trará benefícios financeiros e comerciais. 


terça-feira, 30 de agosto de 2016

A caminho de novas eleições

O início do debate sobre o programa do governo em Espanha fica marcada pela irredutibilidade do PSOE em votar contra na próxima sexta-feira. Rajoy venceu as eleições legislativas duas vezes, mas os socialistas pretendem governar o país, mesmo não tendo o apoio do Podemos, como se viu na primeira metade do ano. 

O assalto ao poder de Sánchez só se justifica pelo medo de perder o lugar de secretário-geral. É uma curiosidade os socialistas não terem pedido eleições antecipadas após os sucessivos falhanços do líder. Sánchez não venceu as eleições do final do ano passado, não conseguiu maioria parlamentar para governar e voltou a perder as legislativas de Junho. O próximo passo será derrubar o executivo de Rajoy para falhar novamente a criação de uma maioria porque o Podemos não irá suportar os socialistas. É incrível que na noite das últimas eleições, Sánchez tenha justificado a derrota do PSOE com as intransigências de Pablo Iglesias para passar o governo socialista. 

O momento político em Espanha é terrível. Os problemas nacionalistas são um problema crónico e agora junta-se uma crise política no governo central que não tem fim à vista. Dificilmente algum partido ganha maioria absoluta. Nem sequer a esquerda e a direita conseguem votos suficientes para governar. Se há um sistema em que podemos dizer que faz sentido falar em fragmentação política é o espanhol.

Na minha opinião, a incerteza só muda se os actuais actores políticos saírem, em particular Rajoy e Sánchez. Os resultados das duas últimas eleições mostram que os espanhóis não querem o socialista como primeiro-ministro, mas Rajoy também não recolhe simpatia, tendo um partido que continua a ser o mais popular em Espanha. Se as lideranças do Ciudadanos e Podemos mudassem, os partidos tradicionais tinham mais votos, mas Alberto Rivera e Pablo Iglésias são os novos entes queridos da política espanhola. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Mais um sinal de intolerância na Europa

A proibição do Burkini é mais um sinal negativo de intolerância dada pela Europa, sobretudo pela França do socialista François Hollande. 

As questões ligadas à utilização de sinais religiosos não tem nada a ver com Schengen ou  a implementação de medidas de segurança. O governo francês esconde-se atrás dos problemas de terrorismo para criar mais divisões internas no país. A resposta aos ataques contra os muçulmanos será mais violência dentro do território francês. 

À medida que vão surgindo mais problemas, começamos a perceber alguns motivos dos terroristas. No fundo, alguns lutam contra a discriminação no território gaulês.

Neste momento existe alguma intolerância na Europa, seja à esquerda ou direita. Não há ninguém que pense com racionalidade e adopte soluções tendo em conta os dois lados do problema. A excepção é mesmo Theresa May, que continua o legado de David Cameron no Reino Unido. Impressiona a forma como Hollande se tem deixado levar pela paranóia securitária e tomar medidas completamente estúpidas contra uma comunidade, sabendo que os atentados podem aumentar se continuar com o mesmo tipo de políticas. 

O populismo fácil tem atingido os principais países europeus e não são apenas clichés dos partidos de extrema. Como se vê em França, existe um socialismo muito perto da radicalização. 

sábado, 27 de agosto de 2016

Entrevista a Adelaide de Sousa


A actriz portuguesa concedeu uma entrevista ao OLHAR DIREITO sobre a carreira, bem como relativamente à mais recente experiência na novela Coração D´ Ouro.



Como decorreu a experiência em Coração D´Ouro?
Correu bem a nível pessoal e nas audiências. A Sofia tem algumas semelhanças comigo. Tem sido uma personagem muito interessante de se conhecer ao longo dos episódios, sendo também a mais estimulante devido às expressões dela.

O que procura encontrar numa personagem?
Tento sempre encontrar os pontos comuns com a personagem. No entanto, é sempre mais interessante interpretar alguém que tem menos a ver connosco. A manutenção do interesse no papel que estamos a realizar só pode ser possível se formos descobrindo aspectos e facetas que sejam diferentes.

A evolução de um actor também passa por dar esse passo?
É importante sair da zona de conforto e interpretar personagens com as quais não nos sentimos confortáveis porque ajuda no crescimento do actor. Não aceito personagens que podem vir a resultar num mau trabalho, em particular aquelas que não cabem nos meus princípios.

Consegue separar a ficção da vida real?
A técnica permite-nos ter a capacidade de separarmos as coisas.

Como prepara as personagens?
Há um trabalho base praticamente igual, embora varie se estivermos perante uma novela, filme ou peça de teatro. O conhecimento adquirido é importante para construir a imagem de outra pessoa. O passo seguinte é o funcionamento da personagem através da análise do texto e perceber as motivações daquela pessoa. Posteriormente aparece a questão física para interpretar sentimentos e posturas diferentes. Tem que ser um trabalho estruturado. 

Quais as principais características da ficção nacional?
A variedade devido à existência de muitas telenovelas, séries, além de haver teatro. Trabalhamos muito bem com poucos meios. Todos temos o desejo de fazer mais e melhor. 

São melhores do que as produções brasileiras?
Nós somos muito bons, mas ainda há muito trabalho a fazer. Os actores brasileiros não são superiores. Temos excelentes realizadores, directores de fotografia. Contudo, os brasileiros estão muitos anos à nossa frente, principalmente na parte técnica. Na representação já estamos num registo semelhante aos brasileiros.

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sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Como se perde a medalha de honra

A atitude do nadador norte-americano Ryan Lochte deixa envergonhado qualquer amante do desporto. Não se percebe qual o motivo para o atleta ter tido aquele comportamento. Uma vergonha muito bem repudiada pelos responsáveis do comité olímpico norte-americano. O mais importante aconteceu com os patrocinadores. Lochte vai deixar de ser patrocinado ao mais alto nível. Uma penalização justa para um atleta que chegou ao topo no Rio de Janeiro, mesmo com a presença de Michael Phelps, e sai da cidade brasileira como um farrapo. 

Nos últimos anos, o desporto tem assistido a casos semelhantes. O doping de Maria Sharapova e de Lance Armstrong mostram como se pode cair do estrelato para o anonimato num instante. Tendo em conta que há sempre jovens que estão dispostos a serem melhores e bater recordes, não existe espaço para o regresso. Ou seja, uma vez caído em desgraça não há tempo para voltar ao topo. Não acredito que o nadador norte-americano consiga brilhar nas piscinas olímpicas e ser o sucessor de Phelps, pelo menos, a nível mediático. Ryan Lochte perdeu uma oportunidade de ouro de continuar a ser falado, mas deitou tudo a perder. O mesmo acontece com a tenista russa. Nem vale a pena falar de Armstrong que foi ultrapassado pelo britânico Chris Froome. 

É uma pena que alguns campeões tenham perdido a medalha de honra. Talvez a mais importante de todas...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Washington fica ao lado de Erdogan

A recente visita de Joe Biden à Turquia é uma manifestação de apoio ao presidente Recepp Tayyip Erdogan na luta contra o terrorismo, mas também no recente pedido para os Estados Unidos extraditarem Fethullah Gulen na sequência dos pedidos do líder turco após o golpe de Estado em Julho.

Os Estados Unidos não poderiam adoptar uma posição neutra nesta situação complicada. Obviamente que a Administração norte-americana deu um sinal de que está ao lado de Erdogan. Quando se fala em competência do poder judicial para iniciar um processo contra Gulen mostra que Washington cedeu às pressões de Ankara, mesmo que o clérigo venha a ser ilibado e continue nos Estados Unidos. Duvido que isso aconteça. 

A Turquia é um dos maiores aliados dos Estados Unidos, em particular na luta contra o terrorismo. A presença de militares norte-americanos no país para ter acesso aos pontos mais importantes da região tem de continuar. 

Embora os dois países nem sempre estejam de acordo, acabam por voltar a apertar as mãos em nome do interesse mútuo. Os Estados Unidos asseguram uma base militar para controlar os conflitos no Médio-Oriente e os turcos ficam com as costas seguras em termos políticos e económicos. 

A partir deste momento, o processo de extradição de Gulen será acompanhado ao pormenor. A Casa Branca quer fazer tudo bem feito para não estar envolvida directamente, mas dificilmente Obama vai ser ilibado de ter ficado ao lado do presidente Erdogan. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Partido Trabalhista com pouco futuro

A entrada em cena de Owen Smith na corrida à liderança do Labour deveu-se à revolta de alguns deputados que aproveitaram a demissão de David Cameron de primeiro-ministro para substituir a liderança e pressionar os conservadores, a opinião pública e publicada para a necessidade de novas eleições gerais. 

O grupo de parlamentares, que se manifestou contra as posições de Jeremy Corbyn, quer assaltar a liderança do partido contra os militantes mais influentes e os sindicatos. 

Neste momento existe uma guerra cega pelo poder dentro do partido por várias facções. Os deputados são a facção menos poderosa, mas aquela que tem mais importância e responsabilidade. Não querem estar subjugados às decisões do establishment e à influência dos sindicatos, pelo que, decidiram abrir um conflito. 

O actual líder só está no poder por causa dos dois movimentos. Nem mesmo Ed Miliband teve hostilidade constante dentro do grupo parlamentar.

Na minha opinião o passo dado pelos deputados não vai resultar e terá consequências negativas. Se Owen Smith vencer não acredito que haja eleições antecipadas porque os conservadores estão mais fortes do que nunca e a decisão de respeitar o Brexit será recompensada nas urnas. Smith chega às eleições gerais sem ter feito oposição. No caso de Jeremy Corbyn continuar, os deputados não vão trabalhar com ele e os conservadores também continuam no poder com forte probabilidade de ganhar as eleições em 2020. 

O Partido Trabalhista corre um sério risco se não tiver uma agenda de esquerda mais virada para os problemas das pessoas. É verdade que Corbyn tem sido porta-voz de algumas medidas sociais, mas falta chegar a outro sector da sociedade e não apenas às classes trabalhadoras. 
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