terça-feira, 29 de Julho de 2014

O Jardinismo

Embora não goste de Alberto João Jardim acho que o ainda líder deixou obra na Madeira. No entanto, considero que sempre houve um tratamento especial por parte do Estado português em relação às exigências do Funchal. Neste aspecto eu acho que o presidente do governo regional acaba por ser ingrato ao estar sempre contra Lisboa. Até porque em muitos casos houve dinheiro público mal gasto.


Apesar de tudo percebo a atitude política de Jardim que tenta fazer da Madeira uma espécie de ilha à parte do resto do continente. O problema é que a autonomia também tem de ser financeiro, e em relação a isto os líderes regionais nunca deixaram de aceitar ajuda. Por isto entendo que a carreira política de Alberto João acaba aqui. Em termos nacionais não tem nenhuma popularidade e nunca venceria o partido. É óbvio que se trata de uma figura histórica do PSD, mas até esses estão a perder espaço dentro das estruturas. Contudo, ainda o vamos ouvir na comunicação social, mas acho que é tempo de Alberto João gozar a reforma como deve ser, embora seja natural que muitos sintam o bichinho. É como todo o futebolista que passa por um processo após terminar uma carreira. 

domingo, 27 de Julho de 2014

Figuras da Semana XIV

Antes das férias elegemos as últimas figuras da semana. Esta rubrica regressa em Setembro.


Por Cima:

Comunicação Social - Durante os últimos dias tivemos o início das transmissões da Sporting TV e a Sport TV anunciou que vai criar um quinto canal. Isto significa mais emprego para um sector que tem sofrido alguns problemas, nomeadamente na imprensa. No entanto, estas são mais duas janelas de oportunidade para quem quer iniciar uma carreira como jornalista. O futuro, apesar de tudo, parece ser risonho. 

No meio

Israel/Hamas - O conflito no Médio-Oriente já leva mais de mil mortos. Até a um novo cessar-fogo completo vão continuar morrer pessoas inocentes. A questão que se coloca é tentar perceber porque razão mudam as figuras, mas o problema mantêm-se.  

Em Baixo 

Ricardo Salgado - O ex-presidente do BES foi detido e constituído arguido por quatro crimes entre os quais se encontra a burla e o branqueamento de capitais. Não se trata de fazer um julgamento na praça pública, mas o país não pode continuar a assistir à impunidade daqueles que se auto-intitulam "Dono Disto Tudo". A grande verdade é que os poderosos como Ricardo Salgado estão a cair e a ser alvo de investigações judiciais. Podem não ser condenados, mas em termos a imagem pública fica danificada. E isso é talvez aquilo que os mais preocupa. 

sexta-feira, 25 de Julho de 2014

O conflito que nunca mais vai acabar

Há mais de vinte anos que Israel e Palestina têm andado de candeia às avessas, isto é, num permanente conflito militar que não tem mesmo fim à vista. Não vale a pena recuarmos na história e culpar aqueles que ocuparam terra vazia ou os que constantemente ameaçam retirar Israel do mapa. Normalmente nas guerras há os bons e os maus, mas nesta ou há só bons ou só maus. Na minha opinião todos são maus porque tanto o governo israelita como o Hamas pretendem unicamente retirar vidas inocentes. 

A única solução possível é a via diplomática, mas até essa já foi tentada por várias vezes e nunca resultou. Também neste campo não vale a pena forçar o entendimento e sentar na mesma mesa pessoas que se odeiam mutuamente. Quando falo em pessoas, estou naturalmente também a incluir organizações. No fundo, têm sido estas as principais responsáveis pela matança na Faixa de Gaza, porque os líderes, tanto do governo israelita como do Hamas, têm passado (alguns mortos) e a sangria continua.

Neste conflito era essencial um terceiro que pudesse resolver a situação. O problema é que essa via também foi tentada com os Estados Unidos e a Liga Árabe a tentarem um acordo. Sobre os EUA digo que a posição de Obama é a mesmíssima que teve George W.Bush. No entanto, o actual presidente é poupado a críticas enquanto o ex-chefe de Estado foi crucificado pela imprensa. Não se pode ter dois pesos e duas medidas. Neste campo apenas Bill Clinton, juntamente com o Rei Hussein da Jordânia, tentaram obter um acordo, mas na altura não havia Hamas. Contudo quem estava no poder na Palestina era Yasser Arafat, o mesmo é dizer que negociar com terroristas é difícil. 

Pelo exposto todas as situações não são passíveis de ser aplicadas. Que fazer? Continuar com a guerra e dizimar, tanto o povo israelita como o palestiniano? Claro que isso não é solução.

O único problema aqui é que todos sabemos que o próximo cessar-fogo não será o último e nem mais um muro da vergonha resolve uma questão que tem a ver simplesmente com ódios que estão relacionados com a raça, cultura e religião. Se em outras partes do globo também há situações idênticas à de Gaza porque estamos a dar publicidade a uma questão que sabemos não ter resolução?

quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Quando estão no poder ninguém lhes pode tocar

A detenção de Ricardo Salgado acabou como se esperava. O antigo presidente do BES pagou uma caução e foi para casa aguardar novos desenvolvimentos da justiça sobre este caso. Em primeiro lugar não percebi a expectativa durante todo o dia em relação a este caso, porque era notório que Salgado não iria ficar em prisão preventiva. Uma mera fuga aos impostos no valor de 14 milhões de euros não é motivo para ficar detido preventivamente nem em prisão domiciliária. No entanto, haverá mais situações em que o actual líder do BES terá com que se preocupar, isto se a procuradoria geral da república mexer com os cordelinhos e for até ao fundo nas investigações à gestão danosa do grupo. Só que aí não é apenas Salgado que vai ter problemas. 

Outro aspecto tem a ver com a demora neste processo que nada tem a ver com a sua passagem no Banco Espírito Santo. Tal como aconteceu noutras situações, quando se está no poder ninguém toca e só depois de terminadas as funções é que se vai com um mandado de captura a casa do "arguido". Também foi assim com Vale e Azevedo que só teve problemas com a justiça após ter abandonado a presidência do Benfica. Por aqui a justiça não tem melhorado. No entanto, convém explicar que isto não é uma situação particular das nossas autoridades porque a importância do cargo tem de obedecer a certas diligências e timings. Deste modo, não quero que a justiça entre pelas portas dos presidentes que são suspeitos e inicie uma caça às bruxas. Repito: é importante que a justiça saiba qual é o momento adequado para fazer este tipo de diligências. Não creio que com isto haja uma justiça para ricos e outra para os mais pobres. É normal que quem está no topo esteja mais protegido nestas situações, mas isso não significa que haja um desinteresse pelos crimes alegadamente crimes. Até porque a gestão de Ricardo Salgado levou-o a ter que abandonar o BES pela porta pequena e não em grande como certamente "o Dono Disto Tudo" esperaria.

O pior para Salgado, para o BES e a economia portuguesa é o que vem a seguir.  

terça-feira, 22 de Julho de 2014

António Costa e Rui Rio pressionam Cavaco Silva

António Costa e Rui Rio querem eleições legislativas antecipadas para o próximo mês de Abril de 2015. Ora, se o primeiro pode vir a beneficiar com isso uma vez que tem hipóteses de vir a ser o próximo secretário-geral socialista bem como o candidato do partido a primeiro-ministro, já Rui Rio só tem interesses após o acto eleitoral. Por esta tomada de posição Rio assume que quer ser candidato a líder do PSD, mas caso Passos Coelho consiga formar uma maioria, o objectivo do ex-autarca do Porto passa por Belém. Concordo com a atitude de Costa porque quanto menos tempo tiver o governo para recuperar melhor. No entanto, acho que Rui Rio está a precipitar-se por querer acelerar uma candidatura a líder social-democrata. Nota-se nos dois que há um jogo de interesses, que em democracia é legítimo.

Considero que os pedidos dos dois resultam de pressões dentro dos respectivos partidos. Não tenho dúvidas que António Costa sente que tem o PS e o país a seu lado. Por seu lado, Rui Rio já garantiu apoios importantes para a São Caetano à Lapa. E se alguém quiser ser candidato a líder do PSD tem de o fazer agora, o problema é que a maioria dos laranjas ainda está unido em torno de Passos Coelho. 

Entendo que tanto Costa como Rui Rio têm possibilidades de ganhar os partidos em que estão filiados. Em relação ao país a conversa é outra. Quanto menos tempo tiver António Costa, pior será para ele, até porque se vai acumular a presidência da Câmara de Lisboa não irá ter disponibilidade política para ser líder em dois lados. Rui Rio não vai ter espaço parlamentar senão for incluído nas listas do PSD para a Assembleia e penso que lhe falta experiência em lugares no governo. Embora isso não seja fundamental, Rui Rio é político e não um técnico e por esse factor, não tem carisma para ser de caras um candidato a primeiro-ministro ganhador. 

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Desemprego no Reino Unido

O último boletim informativo divulgado pelo gabinete de estatísticas do Reino Unido em Abril deste ano confirma a queda acentuada do desemprego para os 6.9% entre Dezembro de 2013 e Fevereiro. Este valor representa um aumento de 239 mil empregados e a redução do número de desempregados para 77 mil, sendo que no ano passado foram criados 900 mil empregos, mas 400 mil estavam desempregadas. Em 2010 quando o actual governo tomou posse a taxa de desemprego era de 7,8%, tendo crescido 2,2% desde o início da década. Os principais objectivos do executivo liderado por David Cameron passam por estimular o investimento em empresas do sector privado para melhorar o acesso à Internet no próximo ano com especial incidência nos meios rurais, alcançar um crescimento económico forte e sustentável, reduzir o défice e relançar a economia, criar um sistema fiscal simples e justo que atinge as pessoas com rendimentos mais baixos bem como ajudar a indústria do turismo a crescer com a criação de vários programas.  Nestas medidas gerais estão incluidos melhoramentos de 28 mil milhões de libras na rede de estradas, bem como desenvolver uma rede nacional ferroviária de alta velocidade no valor de 16 mil milhões de libras. No entanto, o facto mais relevante das propostas apresentadas por este executivo tem a ver com investimento no sector privado para a criação de emprego a partir de 2020. Por fim, uma particular ajuda à economia da Irlanda do Norte com cerca de 132 milhões de libras em infraestruturas e do País de Gales por via da aposta no investimento tecnológico. O executivo britânico pretende disponibilizar três milhões de libras em forças armadas para manter a paz nos Balcãs. No entanto, o governo britânico para chegar a um ponto em que o sucesso parece irreversível enfrentou várias críticas de várias instituições internacionais que criticaram as políticas económicas do executivo que foram adoptadas o ano passado. Há um ano o Fundo Monetário Internacional (FMI) avisou que havia um longo caminho para percorrer, facto que foi aceite na altura por George Osborne, chancellor do tesouro britânico, equivalente ao ministro das finanças português. O problema é que a OCDE num relatório divulgado recentemente criticou as opções governativas uma vez que as medidas de austeridade estão a recair nas pessoas mais pobres, o que faz com que a sociedade britânica se torne desigual. À semelhança do que acontece na maior parte dos países europeus, também no Reino Unido o desemprego jovem é uma praga social que tem de ser combatido urgentemente.

Dentro de um ano vai haver eleições legislativas em Inglaterra. A derrota nas últimas europeias fez soar o alarme no partido Conservador uma vez que os trabalhistas estão a obter bons resultados junto da opinião pública e nas sondagens. À subida do partido liderado Ed Miliband ainda há que contar com o crescimento do UKIP de Nigel Farage bem como com as constantes alterações de humor do líder dos Liberais-democratas, Nick Clegg.  Não obstante os bons números do desemprego, ainda há muito a fazer noutros aspectos. Nuno Mansilha, advogado que trabalha em Londres diz que “os salários não têm aumentado e o debate que se faz neste momento é sobre a qualidade dos empregos que estão a ser criados”. O português alerta ainda para o facto do “Reino Unido ter duas velocidades porque Londres tem um ritmo próprio que não pode ser comparado ao resto do país”. Por fim, Nuno Mansilha confirma que o “sector que mais sofreu com a crise foi o financeiro”. A recente remodelação governamental efectuada pelo primeiro-ministro britânico é vista para alguns analistas como uma tentativa de recuperar algum terreno que foi perdido para a oposição britânica durante o início da recuperação económica.

O desemprego foi uma das heranças mais pesadas deixadas por Gordon Brown e que o novo governo britânico liderado por David Cameron teve de colocar no topo das prioridades da sua agenda. As perspectivas de melhoria económica são bem vistas pela população britânica, mas também pelos estrangeiros que trabalham no Reino Unido. Rita Sério, portuguesa que vive há um ano no Reino Unido disse que “acredita na melhoria das condições económicas” e garante que o “país está melhor mesmo com os cortes que foram efectuados”. A trabalhadora do sector da restauração acrescenta que “o que se desconta aqui acaba por ser justo porque há muitos apoios, sobretudo no sector da saúde”. A intenção de Rita é “continuar a viver” no local onde está com a sua família há um ano. Patrícia Simões que trabalha nas autoridades portuárias do aeroporto de Heathrow garantiu que “as medidas estão a ser sentidas, mas de forma muito ligeira”. A portuguesa que vive no Reino Unido há 12 anos considera que “a actuação do governo está a ser boa, principalmente para os jovens porque há trabalho para todos”. Tal como acontece com Rita Sério, Patrícia também pretende continuar em terras de Sua Majestade.

Primárias laranjas para as presidenciais

O fim-de-semana que terminou revelou mais um candidato laranja à presidência da República. Pedro Santana Lopes deu uma entrevista ao Expresso em que mostrava disponibilidade para avançar a Belém e o Diário de Notícias acredita que o candidato favorito de Passos Coelho é o antigo primeiro-ministro que substituiu Durão Barroso na chefia do governo em 2004. Ora, o PSD como está no governo tem mais possibilidades de vencer as presidenciais e por isso é natural que haja mais pessoas com vontade de obter o apoio do partido. Apesar disto, considero que haverá um candidato da direita que vai avançar mesmo sem a vontade expressa dos sociais-democratas. Posto isto, nos próximos tempos vamos ouvir nomes de potenciais presidenciáveis como Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes, Durão Barroso e Rui Rio.

A direcção social-democrata deve estar hesitante entre apoiar Santana Lopes e Durão Barroso para Belém. O apoio ao segundo só será dado caso o primeiro decida não avançar. Isto é, o PSD vai esperar até à última por Durão e só depois irá bater à porta de Santana, sendo que este só segue em frente caso actue por detrás do partido. Sem a vontade e desejo de Passos Coelho, o actual provedor da misericórdia de Lisboa não vai a jogo porque sempre precisou da máquina partidária para obter resultados políticos. Desta vez não vai fugir à regra. Nos últimos surgiram notícias dando conta do desejo do CDS em apostar no antigo presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio. Esta seria uma boa forma dos centristas dividirem o PSD internamente bem como o seu eleitorado.

A única candidatura independente deverá ser a de Marcelo Rebelo de Sousa, mas que terá, obviamente, apoios por parte de figuras ligados ao PSD e à direita. No entanto, a intenção de Marcelo Rebelo de Sousa concorrer a Belém vai muito para além disto, porque precisa naturalmente de ter apoios financeiros e não só para fazer face às máquinas partidárias. A grande vantagem do comentador é ter um consenso muito forte na sociedade portuguesa. 

Embora o PSD ande preocupado para saber quem vai apoiar, o PS já tem esse problema resolvido porque António Guterres deverá ser o candidato apoiado pelo líder socialista. A dúvida está relacionada com o facto de saber quem vai ser o secretário-geral daqui por ano e meio, isto porque, quer António Costa ou António José Seguro vençam as primárias, caso percam as legislativas vão ter que dar lugar a outro. 

domingo, 20 de Julho de 2014

Olhar a Semana - Culpar a Rússia por tudo e por nada

A queda de um avião da Malaysia Airlines na Ucrânia devido ao disparo de um míssil está a gerar uma onda de críticas por parte da comunidade internacional a Vladimir Putin. A primeira voz contra o presidente russo, foi, como não podia deixar de ser Barack Obama. O presidente norte-americano sem qualquer tipo de provas acusou Moscovo por estar detrás do atentado. Mais tarde, vieram a público gravações entre conversas de separatistas a vangloriar-se pela queda de um avião civil. No entanto, não se pode confirmar que se trata de soldados pró-russos porque a cassette é divulgada pelas autoridades ucranianas sem saber quem eram os responsáveis.

Em primeiro lugar é preciso perguntar o que fazia um avião civil naquela zona que é, como todo o mundo sabe, de conflito armado. Por outro lado, não me parece que os separatistas tenham abrido fogo sobre um avião civil e depois estejam na disponibilidade para permitir às autoridades internacionais de recolher os corpos. 

A comunidade internacional, em particular os Estados Unidos, estão a cometer um erro enorme ao acusar Putin por cada desastre que acontece no leste ucraniano, sendo que o presidente russo já mostrou disponibilidade para iniciar negociações com Kiev. Contudo, o problema está mais naqueles que estão no terreno e não na via diplomática. E é aqui que tanto os EUA, Reino Unido e Bruxelas estão a precipitar-se porque querem criar um inimigo e proteger as autoridades ucranianas. No fundo, a opção de Washington tem sido isolar Moscovo de tudo e mais alguma coisa, sem ter provas concludentes sobre o que está a dizer, mas mesmo que saiba de alguma coisa não se pode responsabilizar Putin por cada acidente. De facto, o caso do avião malaio parece ser um acidente, uma vez que os supostos agressores (ainda não se sabe o que se passa), poderão ter pensado que se tratava de um avião militar. Outra questão que se colocar é que nestas situações os criminosos costumam reivindicar os atentados e explicar o porquê. Até ao momento não houve nada disso, pelo que não percebo esta perseguição feita pelos Estados Unidos da América.

sábado, 19 de Julho de 2014

O lugar que o CDS ocupa na sociedade portuguesa


O CDS, tal como a maioria dos partidos que fundaram a democracia, celebra 40 anos. Não há dúvida que o partido fundado por Freitas do Amaral tem ocupado um espaço importante na direita portuguesa. No entanto, com as mudanças de líder, alterou-se também a ideologia e o caminho seguido pela força partidária. Costuma dizer-se que o CDS é um partido liberal, conservador e democrata-cristão porque dentro da estrutura há pessoas com vários tipos de pensamento. Eu não vejo esta situação como um factor positivo porque não há nenhuma definição ideológica e isso pode fazer com que os eleitores "saiam" do partido consoante este esteja mais por cima ou em baixo. 

Não podemos dissociar o crescimento do partido à figura do partido, mas também é preciso realçar o facto da máquina estar excessivamente concentrada no seu líder. Na minha opinião este aspecto também é mau porque a sucessão será mais difícil e há pouco espaço para outras ideias vingarem. Contudo, convém não esquecer que nas últimas legislativas a maioria dos jovens trocou o BE por um voto no CDS. Também é de realçar a qualidade dos valores do partido que, estando ou não com Portas, estão a ganhar notoriedade, não só na política, mas sobretudo em vários sectores da sociedade portuguesa. Ninguém olha para o CDS como um partido pequeno, o problema é que quando se aproximam eleições todos acham que vai voltar a ser o partido do Táxi, principalmente quando está em funções governativas e é penalizado pelas políticas.

Em meu entendimento o CDS deve ocupar um espaço mais liberal, autónomo e que defenda com convicção a iniciativa privada, alterações à constituição para acabar com alguns direitos adquiridos bem como torná-la mais um texto político do que uma lei a que todos devemos respeitar ponto por ponto. Em relação a esta questão quando for altura de uma revisão constitucional, quem estiver à frente do partido deve questionar a existência do Tribunal Constitucional. Penso que o CDS deve largar a sua matriz conservadora, mas continuar com a sua faceta democrata-cristã. Acho que é difícil o partido tornar-se numa força liberal pura, contudo acredito que as pessoas com essa vertente podem vir a ganhar um espaço importante dentro de poucos anos. Infelizmente Paulo Portas vai manter o CDS conservador/democrata-cristão. É uma opção que respeito, mas acho que deveria ir mais longe e não ter medo de abrir rupturas políticas, sociais e económicas. 

quinta-feira, 17 de Julho de 2014

As primárias são um passo em falso

Tenho ouvido muitas pessoas afirmarem que as primárias do PS são uma novidade no sistema político português, mas que em nada vai alterar a pouca vontade dos portugueses em participar mais na política. O argumento que se dá é o facto de não se poder mudar a mentalidade apenas porque os cadernos eleitorais estão abertos ao cidadão comum através de uma simples inscrição.

Então o que se passa?

Na minha opinião o verdadeiro problema está no conteúdo político e a na personalidade dos personagens principais. É verdade que o sistema não permite uma maior clarificação nem o debate que todos desejam, mas enquanto os protagonistas não tiveram qualidade intelectual e política até podem fazer uma votação por voto electrónico. No entanto, a questão maior também tem a ver com a forma como este processo foi iniciado. Quem não considera que a realização das primárias foi uma fuga para a frente da actual direcção socialista meta um like. Se em relação a estas primárias há debilidades na forma e no conteúdo é muito provável que este acto eleitoral seja um verdadeiro fiasco ao contrário do que pode acontecer em Espanha onde o PSOE também vai eleger o próximo candidato a primeiro-ministro da mesma maneira. 

O povo lá vai dizendo que "o que nasce torto jamais se endireita". Não vejo como é que o resultado final da eleição do próximo dia 28 não vai acabar numa imensa confusão política e jurídica para os lados do Largo do Rato, que podem muito bem originar confrontos físicos porque não estou a ver nenhum dos candidatos a aceitar uma derrota. 

Será que Seguro vai perder as regras que definiu para tentar acabar de vez com Sócrates?

Bloco em vias de extinção

Tal como está a acontecer com o PS, o Bloco de Esquerda também deveria abrir um processo eleitoral. Não com primárias já que os bloquistas não têm esse espírito de abertura, mas talvez numa reunião da direcção para tentar encontrar uma solução que salve o partido nas próximas legislativas. 
Com uma direcção bicéfala que não resulta, ex-militantes com peso dentro da organização a se irem embora e com simpatizantes do partido a insultarem-se nos jornais é provável que a aventura iniciada em 1999 esteja perto do fim. É possível que depois da extinção deste pequeno partido que já foi médio a esquerda mais radical encontre um espaço para desenvolver as suas ideias políticas e até quiça, com os mesmos rostos. É impressionante como um projecto que se afigurava sólido neste momento sobrevive apenas pela sua exposição parlamentar.

De facto, a saída de Francisco Louçã da liderança do partido acabou por ser o golpe fatal porque as suas intervenções na comunicação social têm mais visibilidade do que as ideias apresentadas pelos membros da direcção e do grupo parlamentar. 

terça-feira, 15 de Julho de 2014

Remodelação surpresa tendo em vista as legislativas


O primeiro-ministro britânico, David Cameron, fez hoje uma remodelação surpresa e cuja principal missão foi criar uma nova onda positiva no seio do governo que terá de se preparar para as legislativas do próximo ano. O mais surpreendente nesta remodelação foram as despromoções de Michael Gove e William Hague, antigo ministro dos negócios estrangeiros. Embora o chefe de governo diga que não se trata de afastar dois importantes membros do partido conservador, a verdade é que a crítica britânica acredita que Cameron pretende mais espaço de manobra para enfrentar os trabalhistas e o UKIP em 2015.


Esta mudança no executivo surge numa altura após um mau resultado nas eleições europeias e quando se aproximam as legislativas 2015 cujo resultado poderá ditar um referendo histórico sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Na minha opinião Cameron fez bem, mas arriscou demasiado em afastar Gove e Hague uma vez que os dois podem causar problemas internos, em particular o primeiro. Em relação ao segundo não percebo o afastamento do ministério dos negócios estrangeiros já que se tratava de um bom diplomata. No entanto, o líder não entendeu assim e fez tudo de uma vez. O pior nesta alteração foi a forma como Cameron usou o twitter para dar a conhecer aos britânicos um importante momento político. Espero que esta moda não seja para copiar noutros países. A utilização das redes sociais é importante para transmitir a mensagem rapidamente, mas não pode ser aproveitada pelos políticos de qualquer forma. 


É natural que Cameron tenha feito esta remodelação porque a actual situação a isso obriga, até porque os debates semanais com Ed Miliband não lhe têm corrido bem. A partir de agora Cameron já não tem mais margem de manobra para falhar uma vez que o calendário eleitoral está a apertar. Contudo, acho que as melhorias económicas do país e a queda do desemprego podem ajudar a equilibrar os pratos da balança nos próximos meses. Em meu entender o que tem causado mais problemas aos Conservadores é a sua insistência em relação ao referendo sobre a manutenção do Reino Unido na União Europeia. Aqui, o actual primeiro-ministro, ainda não explicou muito quais são as vantagens de sair e as desvantagens de ficar. E o outro aspecto tem a ver com a sua posição sobre o projecto europeu, porque não pode simplesmente organizar uma consulta popular e deixar nas mãos do povo a sua própria opinião. 

Atitudes diferentes perante o caso BES

O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, garantiu que não vai haver intervenção do Estado no BES. As declarações do chefe de governo contrariam assim algumas notícias que circularam a semana passada sobre uma eventual hipótese de dinheiro dos contribuinte ser utilizado para tapar o buraco no Banco Espírito Santo. 
A atitude do governo português é a mais correcta e sensata. É óbvio que nenhum banco pode falir, mas as pessoas não têm de ajudar empresas privadas com o dinheiro dos impostos. No entanto, a nomeação de Vítor Bento para a chefia do Banco é uma garantia que a entidade financeira está sob controlo, não só do Banco de Portugal mas também do executivo. Por um lado o governo não quer ter mão nos problemas internos do BES, mas por outro pretende ter a certeza que vai haver vigilância apertada nos próximos anos porque estes serão de recuperação e rigor financeiro. 

Sob este ponto de vista percebo as interrogações do secretário-geral do PS, António José Seguro, que qualifica a nomeação de Vitor Bento e João Moreira Rato de "política", estando preocupado com a promiscuidade cada vez mais visível entre negócios e partidos. O que não percebo foi o encontro que o líder socialista manteve com o novo "presidente" do BES. Será que Seguro estava a condicionar a acção de Bento, ou foi uma forma de prestar apoio, uma vez que o socialista pode vir a ser o próximo primeiro-ministro?

Posto isto, não é normal que Seguro critique a intervenção da política nos negócios e depois marque um encontro com Vítor Bento. Tenho a certeza que esta reunião não foi para falar de futebol, noitadas ou outros aspectos.

segunda-feira, 14 de Julho de 2014

História dos Mundiais - Brasil 2014



171 golos. Este é o número de golos marcados ao longo de toda a competição, o que faz com que o mundial do Brasil tenha igualado o França 1998 e tornar-se no evento com mais golos na história. Faltou um para que a competição jogado em terras brasileiras fosse o melhor de sempre em termos de golo. No entanto, o evento que acaba de terminar foi um verdadeiro espectáculo.

A expectativa em torno do torneio era enorme porque meses antes da abertura houve vários índices negativas que comprometiam o espectáculo, como era o caso do atraso nas obras em alguns estádios e as manifestações anti-copa que chegaram a acontecer até ao dia do jogo inaugural. Contudo, com a chegada dos jogos tudo isso foi esquecido e os 200 milhões de brasileiros estiveram ao lado da sua selecção que tentava o hexa. O problema é que a história jogava contra a canarinha porque 64 anos antes o Brasil havia perdido a sua primeira copa. Em 2014 a selecção da casa chegou às meias-finais, mas foi goleada pela Alemanha nas meias-finais por 7-1, ficando novamente ensombrada a participação da canarinha em sua própria casa. 

Este Mundial ficou marcado por dois acontecimentos: as condições climatéricas e o ascendente das equipas americanas sobre as europeias. Na primeira fase ficaram equipas como Portugal, Espanha (campeã em título), Inglaterra, Itália e Rússia, sendo que elas foram substituídas por EUA, Chile, Costa Rica e Uruguai e a Argélia. Ora, foram menos seis selecções do Velho Continente que não passaram aos Oitavos-de-final. 

Talvez as condições do clima expliquem esta mudança, mas a verdade é que as selecções americanas saíram do Brasil com um salto qualitativo muito grande, prometendo melhores participações no futuro bem como uma maior visibilidade da sua competição interna. 

Outros pormenores marcaram este mundial como foi o caso do sistema táctico com três defesas. Muitas selecções adoptaram esta estrutura para obter bons resultados. Marcaram-se grandes golos, mas também foi o Mundial onde vários guarda-redes mereceram menções honrosas. 

O campeonato do Mundo ficou também marcado pela genialidade de vários jogadores que, sozinhos, decidiram jogos. Muitos falam no colectivo alemão, mas ninguém pode tirar o mérito a Muller, Klose, Ozil e Toni Kroos. Sem eles, a Mannschaft seria mais fraca e provavelmente não tinha ganho o campeonato do Mundo. Isto notou-se a partir dos oitavos-de-final em várias selecções, como foi o caso da Colômbia muito dependente de James Rodríguez e da Holanda liderada por Arjen Robben. A equipa da casa também confirmou que necessita dos rasgos de Neymar como do pão para a boca. 

A final foi disputada pela terceira vez entre Alemanha e Argentina, cabendo a vitória aos europeus. O que aconteceu pela primeira vez em torneios disputados em todo o continente americano.

Crise ideológica e uma questão de egos

Não sei o que se passa na Esquerda portuguesa, mas esta atravessa uma das fases mais complicadas da sua história enquanto força importante e consolidada na democracia portuguesa. Primeiro é o PS a estar em pé de guerra todos os dias em vez de se concentrar no combate ao governo. Agora é o BE que quer ser mais LIVRE, embora este ainda não tenha a força para substituir o partido fundado no princípio do século XXI. 

E o pior é o facto desta confusão instalado nos partidos da esquerda ter começado numa altura em que a Direita é contestada sob as mais diversas formas e feitios. Na rua, no parlamento e um pouco por toda a Europa. Sempre disse e volto a reafirmar que a crise da Esquerda, sobretudo a portuguesa, está relacionada com a falta de identificação ideológica e de argumentos válidos para defesa dessa mesma ideologia. 

Uma coisa é certa: há muitos valores que pertencem à esquerda portuguesa que estão a abandonar o PS e o BE. Este é um sinal preocupante porque confirma a crise ideológica, mas ao mesmo tempo parece que se trata apenas de uma questão de egos já que esta é outra característica predominante quando se sente o poder ali mesmo à mãozinha. Mas que raio, se tanto o PS como o BE querem o poder, porque razão não se conseguem coligar quando já o têm na mão?

No fim ganha a Alemanha

A Alemanha conquistou a 20ª edição do Campeonato do Mundo, a 1ª de um país europeu em solo  americano (acabou a maldição). Mario Götze marcou o golo decisivo do encontro, no prolongamento, após jogava individual de Schurrle e terminou com o sonho dos argentinos. Esta geração da Alemanha já merecia este triunfo, e pelo campeonato realizado até foi justo que sejam coroados vencedores, contudo, ao contrário do que muitos previam, a "Mannschaft" não foi superior e até beneficiou do desperdício da Argentina (que apesar de não ter tido muito volume ofensivo, teve mais oportunidades de golo). Götze acabou por oferecer o 4º título Mundial à Alemanha (o 1º troféu no século XXI), numa final mais táctica do que espectacular. A nível individual, os candidatos alemães à Bola de Ouro, Muller e Kroos, estiveram muito aquém, enquanto do lado argentino, Mascherano merecia muito mais. Messi também só apareceu na primeira parte e não conseguiu resolver na final, continuando na sombra de Maradona. 

Uma desilusão, o Messi! De resto...o futebol, são onze contra onze e no fim ganha a Alemanha! 

Texto de Manuel Marques Guedes

domingo, 13 de Julho de 2014

Alemanha Campeã Mundial 2014

A Mannschaft vence o Mundial do Brasil e sucede à Espanha

Deutschland Uber Alles



A Alemanha venceu a Argentina por 1-0 após o prolongamento e conquista assim o seu quarto título mundial. O jogo disputado no mítico Maracanã foi bem disputado apesar das naturais preocupações defensivas com que as duas selecções abordaram o jogo. No entanto, a Argentina criou as melhores ocasiões durante os 90 minutos, sendo que os alemães demonstraram maior ascendente no tempo extra. Na alviceleste Leonel Messi tentou oferecer linhas de passe para Gonzalo Higuain, mas este inexplicavelmente falhou duas situações à frente da baliza. 

Os comandados de Joachim Low não conseguiram impor o seu jogo pelo facto de Alejandro Sabella ter colocado três médios a lutar contra o meio campo da Mannschaft. Enzo Perez, Mascherano e Biglia deixaram Schweinstiger, Kramer e Toni Kroos em dificuldades, mas também proporcionaram a Messi, Lavezzi e a Higuaín linhas de passe para criarem oportunidades junto da baliza de Neuer. O problema é que a defesa da Alemanha esteve intransponível, pese embora ter passado por alguns momentos de dificuldade. Viu-se pouco de Muller, Ozil e Klose por causa da boa organização defensiva montada por Sabella.

O problema é que no prolongamento as unidades do meio-campo alemão libertaram-se e chegaram mais perto da área argentina proporcionando a Mario Gotze marcar o único golo do jogo e ser o herói da final. Não, Maradona não renasce duas vezes!

Desta forma quebra-se assim a regra da continentalidade que tinha como tradição o facto de nenhuma selecção europeia ter ganho um campeonato do mundo em solo sul-americano.

sábado, 12 de Julho de 2014

Maracanã

O dia porque todos esperam há quase 50 anos está a chegar. O mítico Maracanã volta a receber uma final do campeonato do Mundo de futebol, mas sem a presença da selecção da casa. No palco vão estar Alemanha e Argentina, grande rival do escrete. 24 anos depois as duas equipas voltam a encontrar-se no jogo decisivo desta competição, naquela que será a terceira final entre a mannschaft e a alviceleste. 

Neste desafio também está em questão a escolha do melhor jogador do Mundial, que provavelmente, também será o bota de ouro FIFA 2014. 

Caso a Alemanha vença quebra uma tradição de que as equipas europeias não conseguem vencer mundiais em solo sul-americano. Se a vitória pender para os argentinos será uma autêntica humilhação para os milhões de brasileiros. E será a Dilma Rousseff a pagar por isso.......


sexta-feira, 11 de Julho de 2014

Recordar 1986 e 1990

A final do Campeonato do Mundo 2014 que se realiza no Domingo é uma reedição do que se passou no final do México 1986 e do Itália 1990. No primeiro caso a vitória sorriu aos argentinos, naquela que foi o campeonato de Diego Armando Maradona. Ao invés, quatro anos depois, um penalti de Andreas Brehme deu o triunfo aos alemães. O mais curioso é que tanto desde 1986 como em 1990, argentinos e alemães não venceram mais nenhuma prova internacional, uma vez que esse feito coube ao Brasil por duas vezes (1994 e 2002), França (1998), Itália (2006) e Espanha (2010). 

Tendo por base estes números a final de amanhã vai ser jogada pelas duas equipas como se da última se tratasse porque é bem provável que nos próximos anos estas selecções não consigam repetir o feito. É verdade que os germânicos chegaram a quatro meias-finais consecutivas (2002,2006, 2010 e agora em 2014). Por seu lado, a Argentina está longe destes palcos há bastante tempo porque o máximo que tem conseguido nos torneios pós-1990 foi os quartos-de-final. 

Não será fácil escolher um favorito para o jogo de domingo, porque, embora o favoritismo recaia na Alemanha, a verdade é que a Argentina tem individualidades para decidir um jogo e depois voltar ao seu jogo cínico. Perante isto é provável que venhamos a ter um jogo mais parecido em relação à final do Itália 1990 do que o que aconteceu no México, embora este Mundial brasileira esteja a ser mais parecida com o campeonato realizado no continente americano.